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14.04.16

Jovem mineiro é disputado por Harvard e outras 6 universidades americanas

Mineiro aprovado em Harvard

Arthur Abrantes aprendeu inglês sozinho e compartilhou com o Estudar Fora a redação que o ajudou a ser aceito nas melhores universidades do mundo.

Por Nathalia Bustamante

Embora tenha sido aceito por 7 das melhores universidades norte-americanas, Arthur Abrantes não hesitou nem por um momento: é para Harvard que ele quer ir. “Também por causa da bolsa que eles me ofereceram, que é muito boa, mas principalmente porque me senti muito acolhido pelas pessoas de lá”, explica ele.

Embora os moradores da cidade de Paracatu, na região norte de Minas Gerais, tenham se surpreendido com as notícias, este foi um resultado que não veio da noite para o dia. Durante todo o ano de 2015, o rapaz de 18 anos se preparou incansavelmente para o processo de application – a candidatura para universidades do exterior. “Não fiz nem ENEM, era tudo ou nada”, relembra.

“Minha rotina era estudar a manhã toda para o SAT [a prova unificada que dá acesso às universidades americanas]. Fiz cerca de 40 simulados, duas vezes cada um. Então, quando fui realmente fazer a prova, já estava familiarizado”, conta ele.

Eu não contava para as pessoas que estava me preparando, então foi uma surpresa. As pessoas ficaram impressionadas porque isto parece ser muito distante

Mesmo dedicado aos estudos, Arthur não abriu mão de outras atividades extracurriculares: dava aulas particulares de matemática, física e química e, no projeto que criara em 2014 com amigos, oferecia aulas de inglês para crianças de escolas públicas.

Depois de ter conseguido boas notas no SAT, era a hora de se dedicar às redações. “Sempre escrevia durante a noite. E as ideias me vinham quando não estava pensando nelas. O texto que enviei para Harvard, por exemplo, tive a ideia uma noite quando encostei a cabeça no travesseiro para dormir”, relembra.

Baixe aqui a redação que ajudou Arthur a ser aceito em Harvard

Escrever as redações não foi tão difícil para Arthur, que já era fluente em inglês. Mas isto, também, só aconteceu às custas do seu próprio esforço: ele aprendeu, sozinho e estudando em casa.

Quando estava no primeiro ano do Ensino Médio, Arthur ficou sabendo do programa Jovens Embaixadores, promovido pelo governo americano. Ficou encantado, mas não pôde se candidatar porque não falava inglês. “Fiquei decepcionado, mas não poderia deixar que este obstáculo me impedisse de conquistar as coisas que queria”, comenta.

Com o apoio de um aplicativo de celular, Arthur começou a estudar. Com o tempo, passou a ler textos, ver filmes com áudio e legenda em inglês e a aprender as letras das músicas que gostava. “Também conversava sozinho, no espelho ou na rua. As pessoas achavam que eu era louco”, ri.

Na edição seguinte do Jovens Embaixadores, ele foi aceito e passou três semanas nos Estados Unidos com outros 49 estudantes brasileiros, selecionado entre 13500 candidatos. Esta experiência o transformou. “Lá tive certeza que eu queria estudar nos Estados Unidos, e que, sim, era possível.”

O domínio do inglês, além de lhe permitir ir para os Estados Unidos, também lhe abriu outras portas: “Quando eu estudava para prova ou fazia trabalhos na escola, já não pesquisava em português porque sabia que em inglês tinha muito mais material”, explica ele. Foi assim que surgiu o Teach Me, projeto que fundou que dá aula de inglês para as crianças de escolas públicas de Paracatu.

Quando os resultados começaram a sair, Paracatu, cidade de 80 mil habitantes, se surpreendeu. “Eu não contava para as pessoas que estava me preparando, então foi uma surpresa. As pessoas ficaram impressionadas porque isto parece ser muito distante”, explica.

Arthur, que se inspirou a ir estudar no exterior ao ver, na televisão, uma reportagem sobre a bolsista da Fundação Estudar Tábata Amaral, aceita em Harvard em 2012, espera mostrar para outros jovens que as melhores universidades do mundo não estão tão distantes assim. “Algumas pessoas vieram me procurar para tentar também no futuro, porque viram que eu era uma pessoa normal… Espero que, com isso, se forme uma corrente. Porque o fundamental é querer, não tem nenhum segredo”, finaliza.

 

Arthur recebeu apoio do Prep Scholars, programa gratuito da Fundação Estudar para preparação para estudar no exterior. As inscrições para a edição 2016 estão abertas. Saiba mais e inscreva-se!
Atenção: o processo seletivo é realizado pelo Na Prática, o portal de carreiras da Fundação Estudar, e para concluí-lo você terá que fazer seu cadastro no site. 

 

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