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Conheça a trajetória de Arthur Abrantes até Harvard; mineiro chegou à pergunta de R$ 1 milhão no Domingão

Nathalia Bustamante - 06/11/2023
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O mineiro Arthur Abrantes, que chegou à pergunta do milhão no ‘Domingão com Huck’ no último domingo (5), tem uma história de sucesso estudando no exterior. Apesar de não ter levado o prêmio milionário, Arthur foi  primeiro brasileiro negro a se formar em Ciências da Computação em Harvard.

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Ele, que sempre estudou em escolas públicas, fez parte do Prep Estudar Fora, preparatório gratuito da Fundação Estudar com foco em jovens que desejam cursar a graduação no exterior. Saiba mais sobre a trajetória de Arthur:

Arthur Abrantes: de Paracatu a Harvard

Embora tenha sido aceito por 7 das melhores universidades norte-americanas, Arthur Abrantes não hesitou nem por um momento: era para Harvard que ele queria ir. “Também por causa da bolsa que eles me ofereceram, que era muito boa, mas principalmente porque me senti muito acolhido pelas pessoas de lá”, explica ele.

Embora os moradores da cidade de Paracatu, na região norte de Minas Gerais, tenham se surpreendido com as notícias, este foi um resultado que não veio da noite para o dia. Durante todo o ano de 2015, ele, que agora tem 25 anos, se preparou incansavelmente para o processo de application – a candidatura para universidades do exterior. “Não fiz nem ENEM, era tudo ou nada”, relembra.

“Minha rotina era estudar a manhã toda para o SAT [a prova unificada que dá acesso às universidades americanas]. Fiz cerca de 40 simulados, duas vezes cada um. Então, quando fui realmente fazer a prova, já estava familiarizado”, conta ele.

Eu não contava para as pessoas que estava me preparando, então foi uma surpresa. As pessoas ficaram impressionadas porque isto parece ser muito distante

Mesmo dedicado aos estudos, Arthur não abriu mão de outras atividades extracurriculares: dava aulas particulares de matemática, física e química e, no projeto que criara em 2014 com amigos, oferecia aulas de inglês para crianças de escolas públicas.

Depois de ter conseguido boas notas no SAT, era a hora de se dedicar às redações. “Sempre escrevia durante a noite. E as ideias me vinham quando não estava pensando nelas. O texto que enviei para Harvard, por exemplo, tive a ideia uma noite quando encostei a cabeça no travesseiro para dormir”, diz.

Baixe aqui a redação que ajudou Arthur a ser aceito em Harvard

Escrever as redações não foi tão difícil para Arthur, que já era fluente em inglês. Mas isto, também, só aconteceu às custas do seu próprio esforço: ele aprendeu, sozinho e estudando em casa.

Quando estava no primeiro ano do Ensino Médio, Arthur ficou sabendo do programa Jovens Embaixadores, promovido pelo governo americano. Ficou encantado, mas não pôde se candidatar porque não falava inglês. “Fiquei decepcionado, mas não poderia deixar que este obstáculo me impedisse de conquistar as coisas que queria”, comenta.

Com o apoio de um aplicativo de celular, Arthur começou a estudar. Com o tempo, passou a ler textos, ver filmes com áudio e legenda em inglês e a aprender as letras das músicas que gostava. “Também conversava sozinho, no espelho ou na rua. As pessoas achavam que eu era louco”, ri.

Na edição seguinte do Jovens Embaixadores, ele foi aceito e passou três semanas nos Estados Unidos com outros 49 estudantes brasileiros, selecionado entre 13500 candidatos. Esta experiência o transformou. “Lá tive certeza que eu queria estudar nos Estados Unidos, e que, sim, era possível.”

O domínio do inglês, além de permitir que ele fosse para os Estados Unidos, também abriu outras portas: “Quando eu estudava para prova ou fazia trabalhos na escola, já não pesquisava em português porque sabia que em inglês tinha muito mais material”, explica.

Quando os resultados começaram a sair, Paracatu, cidade de 95 mil habitantes, se surpreendeu. “Eu não contava para as pessoas que estava me preparando, então foi uma surpresa. As pessoas ficaram impressionadas porque isto parecia ser muito distante”, explica.

Arthur, que se inspirou a ir estudar no exterior ao ver, na televisão, uma reportagem sobre a bolsista da Fundação Estudar Tábata Amaral, aceita em Harvard em 2012, espera mostrar para outros jovens que as melhores universidades do mundo não estão tão distantes assim. “Algumas pessoas vieram me procurar para tentar também no futuro, porque viram que eu era uma pessoa normal… Espero que, com isso, se forme uma corrente. Porque o fundamental é querer, não tem nenhum segredo”, finaliza.

Prep Estudar Fora

Arthur participou do Prep Estudar Fora, preparatório gratuito da Fundação Estudar que tem foco em jovens que desejam cursar a graduação no exterior.  Totalmente gratuito, o Prep Program tem como objetivo oferecer orientação sobre o processo de candidatura em universidades de fora do país. Faça sua pré-inscrição!

O programa já conquistou mais 1200 aprovações e conta com mais de 520 jovens preparados. Em 2022, 81% dos alunos do Prep Program foram aprovados em Universidades dos EUA.

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Sobre o escritor

Nathalia Bustamante
Nathalia Bustamante
Nathalia Bustamante é jornalista formada pela UFJF. Foi editora do Estudar Fora entre 2016 e 2018 e hoje é coordenadora de Conteúdo Educacional na Fundação Estudar.

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