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30.03.16

Jovem cria cartilha sobre processo de candidatura a universidades; baixe aqui

processo de candidatura

Estudante financiou seu mestrado na Espanha através de uma campanha de crowdfunding e agora quer oferecer a mesma chance a uma nova geração de estudantes.

Por Beatriz Montesanti

O alto custo das anuidades e de viver em um outro país são grandes obstáculo no caminho de muitas pessoas que desejam estudar no exterior. Apesar de existirem boas opções de bolsa e financiamento, por vezes estudantes esbarram na própria falta de informação sobre essas oportunidades.

Para Leonardo de Siqueira Lima, porém, este nunca foi um limitador. Após viabilizar uma educação que, a princípio, estaria além de sua condição financeira, o estudante formado em economia pela FGV e atualmente mestrando na Espanha busca agora uma solução para outros alunos na mesma situação que ele.

Leonardo é filho de uma professora da rede pública e um mecânico de aeronaves e, durante cinco anos, fez treinamentos para ingressar na Força Aérea. Em 2009, porém, Leonardo decidiu que queria outro futuro: resolveu estudar economia e política. Primeiro, conseguiu uma bolsa de estudos no cursinho Poliedro; depois, com uma boa classificação no vestibular, obteve também uma bolsa para estudar em uma das instituições mais renomadas (e caras) do país.

Com o diploma da FGV em mãos, foi aprovado em quatro mestrados de economia da Europa: Tilburg University, Amsterdam University (ambos na Holanda), Carlos Madrid III e Barcelona Graduate School of Economics (Espanha). A mensalidade dessas instituições, somada ao alto custo de vida em cidades europeias, seria mais uma vez um impeditivo para o estudante. Mais uma vez, porém, ele descobriu uma solução.

Lançou no ano passado o Mais Educação, uma campanha de financiamento coletivo na internet que teve por objetivo não apenas levantar o valor necessário para se manter em outro país, mas também gerar um efeito multiplicador. Ou seja, com a plataforma, Leonardo deseja desenvolver um método que permita, no futuro, que outros jovens possam estudar fora independente de suas condições financeiras.

Em alguns meses, sua campanha de crowdfunding levantou os R$ 30 mil esperados por ele, mas o estudante decidiu continuar. “As pessoas param de doar quando atinge a meta, mas eu queria que continuassem. Então desenvolvi um sistema de incentivo segundo o qual, para cada R$ 1 ultrapassado, devolverei R$ 1,25 em investimento no futuro”. Ao todo, Leonardo levantou R$ 36.450 de 164 doadores particulares, a maioria próximos ou conhecidos. “Para cada real adquirido vou devolver o valor investindo em outras pessoas”, explica Leonardo, sobre seu projeto de longo prazo.

“Fui chato. Mandei muito Whatsapp e fiz posts no Facebook para incentivar doações”, conta de Barcelona, onde já cumpriu metade de seu ano de mestrado. “Não vejo só como dinheiro, mas como o poder de conectar as pessoas, fazer disso uma rede que possa impactar mais gente.” A ideia, afirma ele, é que todo aluno que receber auxilio retorne em investimento no futuro.

Na prática, Leonardo sabe que seu plano ainda está engatinhando e depende essencialmente de seu próprio sucesso. “Sei que no início meu alcance será pequeno”, reconhece. “Mas isso me coloca uma pressão para corresponder à expectativa das pessoas que investiram em mim”.

Acesso à informação 

Para além do efeito multiplicador que Leonardo pretende provocar com sua campanha, o estudante quis fornecer um retorno mais imediato para aqueles que o ajudaram. Por isso, o mestrando desenvolveu um material didático com dicas de como pesquisar, escolher e financiar estudos no exterior. Baixe gratuitamente a cartilha clicando aqui.

“Pensei num material que fosse atingir todo mundo. Ele está longe de ser completo, mas quis ser objetivo para não perder ninguém na leitura”, conta. O manual está dividido em três partes: escolha, aplication e financiamento, e foi enviado para seus doadores.

“Primeiro, eu escolhi quais eram as boas universidades em economia através de rankings”, exemplifica. Outro fator determinando em sua escolha, também, foi o idioma e o estilo de vida que levaria em Barcelona. “Achei que minha vivência ali seria mais agradável e também aprenderia a falar espanhol, sendo que na Holanda dificilmente aprenderia holandês”.

“Com esse material dá para ter uma boa ideia de por onde começar. Ele não cobre tudo, mas serve como um guia inicial. Inscrever-se para uma universidade no exterior é um processo bem trabalhoso, mas dá para fazer em menos tempo quando se tem ajuda”, diz ele.

 

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