Um projeto: Fundação Estudar

Especial Saúde Pública

09.01.14

Faz sentido estudar Saúde Pública no exterior?

Faz sentido estudar Saúde Pública no exterior?

Descubra quais contribuições os brasileiros que fazem uma especialização fora nessa área podem trazer para o Brasil

Felipe Fregni estudou Medicina e Neurologia na Universidade de São Paulo (USP), onde também fez um doutorado em psiquiatria. Passou um período curto estagiando nos Estados Unidos, durante a residência, quando decidiu que continuaria seus estudos no país. Seu plano era fazer um pós-doutorado, por um ano, mas acabou ficando mais. “Vi que os cursos nos EUA se alinhavam mais aos meus projetos de carreira. Já estou aqui há mais de 11 anos”, conta. Além do pós-doutorado, fez ainda um mestrado em Ciências Médicas na Harvard Medical School (HMS), outro em Saúde Pública na Harvard School of Public Health (HSPH), como Lemann Fellow, e um terceiro em Educação na Harvard Graduate School of Education (HGSE). Saiba mais: Por que fazer uma pós em Saúde Pública Antes de decidir estudar nos EUA, Felipe conta que tinha outra ideia do que seria uma especialização em saúde pública. “Imaginava que todos os cursos fossem focados em epidemiologia, o que não é verdade. Mesmo estudantes e profissionais de medicina muitas vezes não têm noção das possibilidades de estudo na área”, afirma. O mestrado que escolheu para se aprofundar em saúde pública era voltado para profissionais interessados em pesquisa clínica, seja para fazer parte da vida acadêmica, seja para ter uma visão melhor do impacto da medicina clínica na saúde pública. “Ao longo do curso, são conduzidos estudos para entender e avaliar evidências, não só na área de epidemiologia, mas também estatística e políticas de saúde, por exemplo”, explica. Segundo Felipe, o conceito de mestrado nos EUA também é bem diferente do brasileiro. “Os cursos americanos não formam apenas cientistas e não funcionam necessariamente como um pré-doutorado. Muitas vezes, são uma especialização que visa ao crescimento profissional. Sua ênfase é nas disciplinas cursadas, e o tópico principal não é o trabalho de conclusão de curso, mas sim a participação nas próprias aulas e o desempenho nas provas. A cobrança diária é muito maior lá fora.” Durante sua estada em Harvard, Felipe foi promovido a instrutor, professor assistente e hoje é professor associado de Medicina Física e Reabilitação e Neurologia da Harvard Medical School – o curso que leciona é em pesquisa clínica internacional. Também trabalhou em hospitais afiliados da Universidade. Em um deles, o Spaulding Rehabilitations Hospital, criou o Laboratório de Neuromodulação, do qual ele é hoje diretor. Junto a um grupo de mais de 20 alunos – alguns deles brasileiros – coordena diversas pesquisas relacionadas à área. Para ele, uma das principais contribuições que os brasileiros que estudam saúde pública no exterior podem trazer de volta para o Brasil é a habilidade de coletar evidências e avaliar o seu impacto – campos ainda deficitários por aqui. “A medicina baseada em evidência tem um papel crucial para a saúde pública, ainda mais que as observações empíricas. Por isso é tão importante o profissional entender como os dados são coletados e seu impacto em contextos micro e macro.” Arlindo Philippi Junior, doutor em Saúde Pública e professor da USP, destaca que a própria universidade incentiva seus estudantes a passarem um tempo fora do Brasil. “A produção de conhecimento cientifico no mundo depende da interação entre instituições de ensino de ponta, e a USP é uma delas. Temos convênios com escolas de vários países do mundo, como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Dinamarca, Suécia, entre outros, e promovemos intercâmbios de professores e alunos. Essas conexões ocorrem sistematicamente e visam melhorar a qualidade das pesquisas feitas no Brasil – tanto em metodologia, quanto em conteúdo”, diz. Ele ressalta ainda que, cada vez mais, uma mesma publicação científica envolve pesquisadores de países diferentes. “É uma troca. Temos muito a aprender – e a ensinar também. É importante que nossos estudantes estejam atualizados sobre o que está sendo desenvolvido lá fora, para que possam comparar e adaptar as inovações às condições brasileiras, encontrando novas soluções para melhorar a saúde pública no nosso país.” Por esse motivo, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) já disponibiliza 18.000 revistas científicas internacionais para acesso on-line no Portal Periódicos. “Além dos incentivos ao intercâmbio, estudantes e pesquisadores brasileiros agora têm acesso a artigos de várias universidades de ponta do mundo. É uma grande conquista para a sociedade científica do Brasil”, completa Arlindo.

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