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O que você precisa saber para cursar uma graduação fora do Brasil

28.08.15

‘Desisti da Poli para estudar na Universidade da Pensilvânia’

'Desisti da Poli para estudar na Universidade da Pensilvânia'

Narelli Paiva não foi aprovada na 1ª tentativa de fazer a graduação fora, mas não desistiu e agora está de malas prontas: "Cada obstáculo foi importante!"

Pensei muito em como escrever esse texto, achar a melhor forma de explicar minhas decisões, tudo o que passei e o que aprendi em pouco mais de dois anos. Pensei em metáforas e analogias, talvez uma anedota fosse mais eficiente, ou uma fábula em que a moral condensasse toda a experiência. Não consegui. Talvez porque não seja fácil explicar ou resumir como cheguei até aqui. “Deus escreve certo por linhas tortas”, costumava acreditar nesse ditado. Afinal, quer dizer que a vida vai dar voltas, tudo pode dar errado, mas, no fim, tudo fica bem. Certo? Ultimamente, tenho começado a achar que pode não ser bem assim.

Aconteceram alguns problemas fora do meu controle tanto com provas quanto pessoais, e, por mais que me esforçasse, infelizmente, naquele ano acabou não dando certo

Era abril do meu terceiro ano do ensino médio quando tive a oportunidade de tentar realizar um sonho que sempre me pareceu inalcançável: estudar fora. Havia sido aceita no Prep Scholars, o programa da Fundação Estudar de preparação para o processo de candidatura a universidades estrangeiras, e descobri o longo caminho que ia ter pela frente. Lá fora, analisam o aluno de forma holística, ou seja, considerando não apenas as notas, e sim avaliando a pessoa como um todo tanto do ponto de vista pessoal quanto acadêmico.

Assim, naquele ano, tentei conciliar o estudo para o vestibular do ITA e as várias etapas da application (candidatura). Em meio a simulados, começava a montar a lista de universidades em que gostaria de estudar e me preparava para as provas (TOEFL e o SAT). Além disso, o processo também envolve o preenchimento de formulários com informações pessoais, prêmios, atividades extracurriculares e o envio de redações.

Essas redações têm temas às vezes bem subjetivos, como “O que importa para você?”, ou bem estranhos,  como “Conte-nos sobre sua relação com a mostarda”. Ah, e ainda tinha que conversar com professores sobre cartas de recomendação e correr atrás de traduzir histórico escolar.

Aconteceram alguns problemas fora do meu controle tanto com provas quanto pessoais, e, por mais que me esforçasse, infelizmente, naquele ano acabou não dando certo. No começo do ano passado tive que tomar uma decisão: se meu sonho era realmente estudar fora ou no ITA aqui no Brasil.

Quanto mais pensava, percebia que o ITA não era para mim, e que não estava pronta para desistir de estudar fora. Então, passei a me dedicar pela segunda vez à application, passando novamente por todas as etapas – até entrevistas com ex-alunos de algumas universidades – e para o vestibular da Poli aqui no Brasil. Tive novas experiências com um projeto de pesquisa de um filtro à base de bagaço de cana-de-açúcar, que me ajudou a escolher meu caminho profissional. Voltei a me dedicar à leitura e escrita, conheci novos países e pessoas incríveis, aprendi a cozinhar e a valorizar o tempo com minha família.

Embora pareça tortuoso, acredito que o caminho foi uma reta, pois cada obstáculo foi importante, marcando, mudando e me ensinando de alguma forma

E, no início desse ano, fui aprovada na Poli. Depois da euforia inicial, me preparei para um caminhão de mudanças. Sai de Fortaleza para São Paulo, morei sozinha e longe da minha família pela primeira vez na vida e tive que aprender a me virar. Na Poli, cursei o primeiro semestre de Engenharia de Materiais, fui membro do “O Politécnico”, fiz grandes amigas e colecionei memórias, fazendo testes de cima do cirquinho, filmando vídeos sobre lentes autolimpantes, e andando pela Liberdade. Em abril, recebi o resultado da application do ano passado e… Fui aceita na Universidade da Pensilvânia!!!

Em setembro, vou começar meus estudos nos EUA e venho tentando me preparar para mais transformações ainda. Penso no caminho que trilhei, nos obstáculos, no que aprendi sobre mim mesma, sobre o mundo, em todas as linhas aparentemente tortas e no impacto que tudo isso teve em quem eu sou hoje. “Ah, mas um monte de coisa mudou! Seu caminho foi todo torto mesmo, o ditado tá certo!”. Não. Embora pareça tortuoso, acredito que o caminho foi uma reta, pois cada obstáculo foi importante, marcando, mudando e me ensinando de alguma forma, e se tivesse sido diferente provavelmente não estaria aqui. Então proponho um novo ditado: “Deus escreve certo por linhas retas”.

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narelli novaA cearense Narelli Paiva foi aprovada na Universidade da Pensilvânia (UPenn), onde pretende cursar engenharia. Apaixonada por palavras e ciências, escreve um blog de contos desde os 14 anos. Em 2014, participou de um projeto de pesquisa de um filtro de água feito a base de garrafa PET e bagaço de cana-de-açúcar cujo protótipo demonstrou potencial para ajudar pessoas que sofrem com a falta de água potável. Este projeto a inspirou: agora, quer trabalhar com pesquisas, buscando desenvolver tecnologias que possam impactar positivamente a vida das pessoas.

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