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Pesquisa indica que contar menos mentiras faz bem para a saúde mental

Mariane Roccelo - 13/07/2022
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Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de Notre Dame, dos Estados Unidos, indicou que reduzir a quantidade de mentiras contadas por dia pode melhorar a saúde física, mental e melhorar as relações com outras pessoas – o famoso networking. O estudo, intitulado Science of Honesty (Ciência da Honestidade), avaliou indivíduos que reduziram propositadamente a quantidade de mentiras contadas semanalmente por um período de 10 semanas.

Os resultados foram apresentados neste ano durante a 120ª convenção anual da Associação de Psicologia Americana. A pesquisa foi financiada por uma premiação organizada pela Fundação John Templeton. Ao final das 10 semanas de testes, os participantes relataram melhoras tanto na saúde mental quanto na física, incluindo menos momentos de incômodos psicológicos, como tensão e melancolia, além de queda nos casos de dores, como na garganta ou de cabeça.

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Conduzida pelas pesquisadoras Anita Kelly, professora de psicologia da Notre Dame, e Lijuan Wang, da mesma universidade, o experimento foi desenvolvido com 110 pessoas. Entre os pesquisados, 35% eram adultos e 65% estudantes universitários, com idades que variavam de 18 até 71 anos e uma média de 31 anos.

Sobre a dificuldade de parar de mentir, os participantes explicaram descobrir que era algo relativamente simples. Parte contou que percebeu ser possível contar a verdade ao invés de exageram sobre um assunto, outros relataram que pararam de dar falsas desculpas por estarem atrasados ou por falharem ao fazer uma tarefa.

“Nós descobrimos que os participantes poderiam propositadamente reduzir as mentiras diárias e que em troca associavam (as ações) com uma melhora significativa da saúde”, conta a autora Kelly para a American Psychological Association.

Como a pesquisa foi realizada

Cerca de metade dos participantes foi instruída a parar de contar todos os tipos de mentiras, desde aquelas maiores e sobre temas mais relevante, até aquelas consideradas mais leves, sobre temas menos importantes. A outra metade atuou como grupo de controle para comparação e coleta de resultados da pesquisa.

Semanalmente, os participantes foram até o laboratório na Universidade de Notre Dame para fazer um acompanhamento. Foram monitorados aspectos relacionados à manutenção de relações com outras pessoas e saúde. Além disso, eles também respondiam testes de polígrafos para detectar o número de mentiras que cada um realmente contou durante a semana. A partir das informações obtidas através dos polígrafo, os dados indicaram que os testados contavam cerca de 11 mentiras por dia.

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Após as 10 semanas, as diferenças entre os dois grupos de participantes se destacaram e foi possível identificar uma relação entre a menor quantidade de mentiras contadas e a melhora dos aspectos da saúde, citadas no início do texto. Entretanto, o estudo não identificou diferenças para a saúde entre a redução de mentiras mais importantes em comparação com as menos significativas.

O grupo de avaliados que reduziu a quantidade de mentiras relatou também que, a partir da quinta semana, eles começaram a se ver como pessoas mais honestas. Um dos impactos dessa mudança é que as pessoas também relataram uma melhora nas relações pessoais e interações sociais, que passaram a acontecer de forma mais confortável. De acordo com a pesquisadora Wang, as estatísticas indicaram que as melhoras aconteciam em conjunto: a melhora das relações pessoais implicavam na também melhora da saúde.

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Sobre o escritor

Mariane Roccelo
Mariane Roccelo
Jornalista. Formada em Jornalismo e Comunicação Social pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). Mestre pelo Programa de Pós-graduação em Meios e Processos Audiovisuais (PPGMPA) e doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM), ambos da USP.

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