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estudante de intercâmbio olhando a Torre Eiffel

Como era fazer intercâmbio vinte anos atrás?

Por Priscila Bellini
07.04.2017

O brasileiro Filipe Bonetti Alves compara a experiência de fazer intercâmbio na Rotterdam School of Management, 20 anos atrás, com o MBA que faz hoje em dia, na Universidade Columbia.


Por Priscila Bellini

Vinte anos atrás, se você que lê esse texto decidisse fazer um intercâmbio, viveria uma experiência bem diferente. Para começar, a popularização dos computadores pessoais ainda não era tão evidente. Mídias sociais, que hoje fazem parte do dia a dia, então, nem se fala. “O pessoal tem muito mais contatos, faz mais networking ainda”, comenta Filipe Bonetti Alves, que fez o intercâmbio Erasmus na Rotterdam School of Management há 20 anos. “Com Facebook e LinkedIn, o quanto de relacionamento você pode desenvolver nesses intercâmbios aumentou”, completa.

“Hoje em dia, o aluno tem muito mais informações em relação ao que uma escola no exterior oferece. Aí, consegue otimizar o tempo e os recursos durante o intercâmbio”

Depois de ter se formado em engenharia mecânica na Universidade Federal de Uberlândia, Filipe fazia mestrado na Fundação Getulio Vargas. Na época, o intercâmbio integrava um convênio firmado pela FGV, para mandar alunos para fora por períodos de seis meses. Ele ficou sabendo de tudo pela instituição brasileira, que tinha dezenas de convênios semelhantes já assinados. “Hoje em dia, o aluno tem muito mais informações em relação ao que uma escola no exterior oferece. Aí, consegue otimizar o tempo e os recursos durante o intercâmbio”, compara ele.

Filipe Bonetti Alves
Filipe Bonetti

Em outras palavras, não fica só a cargo da instituição de ensino brasileira disponibilizar tais informações. Com acesso a tantos recursos online, tantos depoimentos e fontes de informação, fica mais fácil saber o que aguarda o estudante em outro canto do mundo. No caso de Filipe, do outro lado do oceano, havia uma escola forte em logística – área que ele abordava no mestrado no Brasil. “O mestrado Erasmus era muito forte na logística, tinha uma parte portuária muito forte, além de conceitos de gestão muito bons”, explica o engenheiro de formação. Não foi surpresa que, com seu currículo em mãos e uma boa entrevista feita durante o processo de seleção, o mineiro chamasse a atenção.

Internacionalização já era uma prioridade

Já naquela época, as instituições europeias miravam a internacionalização. Na Rotterdam School of Management, portanto, não faltavam oportunidades para discutir os temas por diferentes perspectivas, de diversos lugares do mundo. “Algumas matérias que eu fiz tinham 60 alunos, sendo que metade deles era de fora da Holanda”, exemplifica Filipe. “Era um objetivo que ia além de fazer um curso que fosse interessante. Tinha enfoque na troca de conhecimento e de experiências de vários países”.

Chegando lá, Filipe percebeu uma diferença crucial na abordagem em sala, um contraste que persiste entre universidades brasileiras e europeias. Em vez de ditar o tom da aula e servir de fonte de informação, o professor era um mediador, que estimulava discussões em sala. “Era fácil desafiar a posição que o professor ou mesmo um colega explicitasse na aula, porque o professor era um mediador nessa situação”.

Essa é uma característica comum a muitos cursos de MBA no exterior, de antes e de agora, além de cursos de pós-graduação mais acadêmicos. “Em Rotterdam, nós tínhamos de trabalhar em problemas de empresas. Na aula de estratégia, discutíamos questões estratégicas de maneira simulatória, com muita abertura para discutir cada ponto”.

Estudar fora, em uma instituição conceituada, já servia de carimbo a mais no currículo. “Isso ajudou as empresas internacionais a me ver como um profissional que tem não só uma boa visão do mercado brasileiro, mas também uma visão de mundo”, destaca Filipe. Essa é, claro, uma das vantagens dos intercâmbios, acadêmicos ou profissionais.

Agora, Filipe avança para outro passo na formação acadêmica: o MBA. Dessa vez, o formato executivo na Universidade Columbia, em Nova York, enquanto trabalha em uma empresa suíça de seguros, na região. A diferença entre as duas experiências, então, persiste. “O pessoal vem do Brasil não só para fazer o curso em Nova York, mas para combinar o intercâmbio em Nova York, em Londres e na África. São cada vez mais intercâmbios dentro deles mesmos”, pontua ele, sobre a internacionalização, vinte anos depois.

 

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