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Dia Internacional da Mulher: como as universidades podem melhorar a experiência de suas alunas?

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Dia Internacional da Mulher: como as universidades podem melhorar a experiência de suas alunas?

O dia 8 de março é reconhecido como o Dia Internacional da Mulher. É o momento de relembrar os séculos de luta das mulheres para conquistar para si os mesmos direitos civis que os homens de suas sociedades já tinham. Se hoje mulheres podem votar, cursar ensino superior e gozar de direitos como licença-maternidade, é graças a muitos anos de luta social por essas conquistas.

Mas ainda que essa luta tenha dado resultados positivos, ela ainda está longe de acabar. Mesmo que as mulheres tenham, no papel os mesmos direitos dos homens, é comum que na prática isso não se verifique, e que elas continuem marginalizadas em alguns casos. Por exemplo: segundo a OCDE, embora as mulheres sejam maioria nas universidades brasileiras, elas ainda são desfavorecidas no mercado de trabalho apesar de suas qualificações.

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No plano internacional, esses desafios também existem. Várias das melhores universidades do mundo, como Oxford, Caltech, e ETH Zurich, tem menos de 40% do seu corpo estudantil composto por mulheres. Entre as 10 melhores, apenas duas estão próximas da paridade de gêneros.

Por isso, perguntamos a algumas mulheres que já se formaram: “o que você acha que as universidades podem fazer para melhorar a experiência de suas alunas de maneira geral?”. Confira a seguir as respostas:

 

“a primeira questão que me vem à cabeça é segurança”

“Sempre que se fala em melhorar a experiência das mulheres em qualquer lugar, a primeira questão que me vem à cabeça é segurança. Tanto na graduação quanto no mestrado, fui obrigada a frequentar ruas mal cuidadas, sem iluminação suficiente, com pouco movimento para quem anda a pé, e a esperar ônibus em pontos mais isolados.

“Muitas vezes a gente precisava levar o computador para fazer trabalhos em grupo, ou mesmo para trabalhar, e ter que passar por esses lugares com um bem tão importante na mochila era muito estressante. Acho que uma maneira de nos sentirmos mais seguras na volta para a casa seria melhorar o cuidado com o entorno da faculdade, cuidar da condição das calçadas, da iluminação dos postes, da poda das árvores… Enfim, ações que também valeriam para melhorar nossa experiência em qualquer parte da cidade”.

Yasmin Hirao, bióloga

 

“mais voz, mais segurança e mais valor”

“A minha experiência universitária foi ótima, me graduei no curso de Letras entre os anos de 2015 e 2017 na Uninove. Me senti muito acolhida pelos professores e pelos colegas que lá já estavam, uma vez que eu entrei na turma no segundo semestre.

“Eu acredito que quanto mais espaço, mais voz, mais segurança e mais valor as universidades derem não só às alunas, mas pra todo o corpo docente feminino e todas as funcionárias, melhor vai ser o ensino e vai estimular mais ainda às mulheres a quererem estudar, serem independentes e buscarem o seu próprio lugar no mundo”.

Caroline Cristina da Silva, professora

 

“respeitar e abrir espaço para as liberdades individuais das alunas”

“Acho que principalmente respeitar e abrir espaço para as liberdades individuais das alunas. Há as que aspiram ser grandes cientistas, desbravadoras dos tantos caminhos ainda a se percorrer; as inovadoras, que se perguntam como explorar seu campo à luz das novas tecnologias; as que estão sendo as primeiras na família à ter acesso ao nível superior, e querem apenas se esforçar pra chegar ao fim do curso sem grandes percalços.

“Olha quantas mentes com vidas, sonhos e realidades diferentes! Mas que quando chegam à universidade tem que se adaptar (mais uma vez) à diagramação da mulher-adulta-independente-padrão. Ninguém pergunta de onde vieram, como estão indo e qual seus objetivos futuros. Muitas estão perdidas, se sentem pressionadas e cobradas, além de não conseguirem se ver como as profissionais que serão.

“Além disso, o sistema patriarcal que nos ‘criou’ tende a boicotar a mulher que quer chegar aos níveis mais altos de suas profissões, deixando claro que em qualquer patamar ou posição, seremos AINDA mulheres. Mas o fato é que somos mulheres E profissionais, técnicas, supervisoras, diretoras, oficiais, presidentes.

“Ser mulher é uma característica do indivíduo, e não um fator limitante. Sempre tive minha personalidade questionada, como se para ser uma profissional respeitada, tivesse que ser séria, calma, educada, uma pessoa que fala baixo, que não tem convicções, ou ambições profissionais. Uma mulher assertiva, expansiva, multifacetada e segura dos seus dotes profissionais, muitas vezes é encarada como “fora do perfil acadêmico”.

“De fato muitas das grandes profissionais na minha área são conhecidas por serem “megeras” ou “doidas” no mínimo, sempre rechaçadas. Enquanto muitos homens seguem sendo maus profissionais e abusivos em seus altos cargos.

“Isso faz com que, dentro dos mesmo espaços profissionais, as mulheres queiram competir ao invés de se apoiar, assim como acontece fora do âmbito profissional. Poderíamos ter um espaço de promoção da diversidade social no meio acadêmico, pra gente se conhecer mesmo! Eu por exemplo, sempre me julguei boa aluna, inteligente, aplicada, acima da média — pra quem vinha de uma escola do estado — mas quando cheguei no mestrado na Universidade pública, vi que já estava largando bem atrás de outras colegas.

“Isso fez com que eu me sentisse sempre deixada de lado quando as oportunidades surgiam. Nunca lembravam de mim, já que eu não me destacava. Sinceramente acredito que isso contribuiu para o meu desencanto com a minha área, e a luta pra me encontrar profissionalmente em outro nicho, em que eu posso me expressar como realmente sou.

“No fim das contas cheguei onde estou por conta dos entraves durante essa minha caminhada, um longo aprendizado que resultou em muito autoconhecimento e orgulho do caminho percorrido. Mas poderia ter sido menos doloroso”.

Mariana Victorio, botânica e artesã

 

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