Brasileiros que estão construindo uma trajetória em ciências da vida, saúde ou biotecnologia nos Estados Unidos provavelmente já sentiram que há muitos compatriotas espalhados pelas melhores universidades, laboratórios e empresas do país, mas poucas oportunidades para conectar essas pessoas entre si e com o Brasil.
A BALSA (Brazilian-American Life Sciences Association) busca preencher essa lacuna. Trata-se de uma associação sem fins lucrativos criada por e para brasileiros que vivem e atuam no ecossistema de ciências e biotecnologia nos EUA. A missão da associação é fortalecer a comunidade brasileira no exterior, ampliar sua competitividade profissional e criar uma rede sólida de suporte, troca e colaboração entre quem atua na área.
O que a BALSA oferece
A comunidade é gratuita e aberta a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, fundadores, profissionais da indústria, investidores e qualquer pessoa interessada em construir pontes com o Brasil nessa área. Ao se juntar, os membros têm acesso ao grupo de WhatsApp e ao Slack da comunidade, além de benefícios como assinaturas de ferramentas de inteligência artificial e suporte para viagens internacionais a conferências científicas.
Além da rede em si, a BALSA promove eventos presenciais e online, webinars com lideranças do setor, happy hours e encontros locais, programas de mentoria e divulgação de vagas, grants e oportunidades. Já foram realizados mais de 20 eventos, incluindo conversas com ganhadores do Prêmio Nobel e tours por instituições de ponta nos EUA.
Hoje a BALSA reúne mais de 250 brasileiros ligados a ciências da vida nos EUA, com presença em mais de 60 cidades e conexões com mais de 90 universidades, centros de pesquisa e empresas, incluindo Harvard, MIT, Arc Institute, Merck e Johnson & Johnson.
Como surgiu
A BALSA nasceu da união entre grupos de diferentes locais, épocas e campos de estudo, mas com necessidades e propósitos parecidos. Quando Taci Pereira chegou a Harvard, em 2013, com a ideia de construir uma carreira em biotech, percebeu que havia poucos brasileiros próximos que pudessem mostrar caminhos na indústria. Foi lá que conheceu Antonio Henriques, que na época cursava o MBA da Harvard Business School, um dos poucos brasileiros que ela havia encontrado atuando na área farmacêutica. Os dois queriam criar uma rede que facilitasse esse caminho para outras pessoas.
Anos depois, a fellow Estudar Sayuri Magnabosco sentiu algo parecido. Curitibana, ela chegou a Dartmouth College em 2017 para cursar Engenharia Biomédica, onde se tornou King Scholar, bolsa concedida a cerca de seis estudantes por ano com alto desempenho acadêmico e potencial de liderança global. Atuou em pesquisa desenvolvendo anticorpos para uma vacina contra CMV, hoje em testes. Durante a pandemia de COVID-19, trabalhou em uma startup de equipamentos médicos de baixo custo, contribuindo para o desenvolvimento de um respirador para bebês e liderando parcerias com hospitais brasileiros que levaram à distribuição do aparelho na Amazônia. Essas experiências reforçaram seu interesse por tecnologias de saúde acessíveis, mas também deixaram clara, em sua própria trajetória, a lacuna de mentoria, comunidade e referências brasileiras em biotech e ciências da vida.
Em 2024, um outro fellow Estudar, Matheus Silva, identificava a mesma demanda entre a nova geração. Filho de uma família mineira de Governador Valadares, ele apostou em escolas públicas e bolsas integrais até chegar a Harvard para cursar Bioengenharia. Ao longo da graduação, tendo passado por laboratórios como Harvard Medical School, MIT e o Wyss Institute, viu de perto como talentos brasileiros em life sciences continuavam isolados uns dos outros nos Estados Unidos. Matheus se juntou a Daniel Dahis, cientista e criador de conteúdo científico, e os dois passaram a mapear brasileiros na área de bio, notando a mesma carência. Começaram então a organizar nomes, conversas e conexões iniciais com estudantes, pesquisadores e profissionais da área.
Quando Matheus e Daniel se conectaram a Taci, Antonio e outros cofundadores, como Victor Dubeux, que estudou bioengenharia na UPenn, perceberam que tinham ideias em comum. Foi essa união entre uma geração mais experiente, com trajetória em biotech, pharma e startups, e uma nova geração de estudantes e pesquisadores com energia para estruturar a comunidade que fez a BALSA sair do papel.
Como participar
Associar-se à BALSA é gratuito e pode ser feito diretamente pelo site balsa.bio. A organização também está em fase de expansão e busca patrocinadores individuais e institucionais interessados em apoiar a comunidade brasileira em ciências da vida nos EUA. Para parcerias e pacotes de doação, o contato pode ser feito pelo próprio site.