Home » Bolsista da Fundação Estudar » Do sonho do ITA ao mundo do empreendedorismo: a trajetória de Bismarck Moreira

Do sonho do ITA ao mundo do empreendedorismo: a trajetória de Bismarck Moreira

Aos 25 anos, o fellow Estudar Bismarck Moreira carrega uma trajetória que passa por olimpíadas científicas, uma aprovação no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a presidência do maior cursinho popular universitário do Brasil  e, mais recentemente, o mundo do empreendedorismo. Natural de Fortaleza, no Ceará, ele conta um pouco dessa história, da vida de estudante e vestibulando à rotina como universitário e empreendedor.

Guiado por desafios

Foi nas olimpíadas científicas que Bismarck construiu boa parte de sua formação: em 2019, foi medalha de ouro na Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica, além de ter participado do IYPT Brasil, competição de debates científicos. “Acho que o desafio é um combustível para mim no dia a dia”, diz.

A vontade de se desafiar também teve relação com o ITA, mas foi um primo, piloto formado pela Academia da Força Aérea e depois aluno da instituição, quem primeiro despertou nele esse sonho. Antes de mirar na faculdade, Bismarck chegou a se candidatar a universidades americanas. Foi aprovado, mas sem bolsa suficiente para custear os estudos. “Ali foi meio que um balde de água fria, mas eu nunca me deixei abalar e acabei revisitando esse sonho que eu tinha sobre o ITA”, lembra.

O caminho até a aprovação, entretanto, não foi tão linear. No primeiro ano de cursinho, Bismarck dividiu o foco com mais uma Olimpíada Latino-Americana de Astronomia; no segundo, uma prova mal calculada o deixou a apenas 0,1 ponto da aprovação. No terceiro ano, mesmo estando preparado, teve uma crise de enxaqueca durante a prova que o deixou desesperançoso. “Pensei que algumas coisas não eram mesmo para ser”, conta.

Foi só quando recebeu uma ligação de vídeo com o DDD da região de São Paulo que entendeu que tinha dado certo: “Quando atendi, tinha uma moça com a farda da Aeronáutica. Eu logo comecei a chorar”.

Vida no ITA

Sobre a vida universitária, ele é categórico: “Para mim, entrar na faculdade foi muito mais fácil do que sobreviver lá”, conta. O curso é puxado, e, apesar de cada um ter uma experiência diferente, ele considera que o verdadeiro desafio do ITA não está apenas em entrar, mas em se manter firme ao longo do curso.

Um dos diferenciais do instituto está na formação de comunidades: os alunos do ITA têm uma convivência que vai além da sala de aula, já que a maioria vive no mesmo alojamento. No H8, como é chamado, os estudantes dividem apartamentos em prédios destinados aos estudantes da faculdade. 

Essa proximidade cria uma rede de apoio que ele considera essencial para sobreviver à rotina pesada de provas: “Se eu tenho uma prova amanhã de uma matéria que eu não sei muito bem, sempre vou encontrar alguém que sabe e que está disposto a me ajudar”, afirma. 

Além disso, Bismarck se envolveu com o CASD, cursinho popular mantido por estudantes da instituição. Passou três anos por lá: foi Diretor Pedagógico no segundo ano, montando material e simulados, e assumiu a presidência no terceiro. À frente do CASD, teve contato direto com mais de 900 alunos em situação de vulnerabilidade, geriu uma equipe de 8 funcionários e 60 membros administrativos e administrou um orçamento anual de cerca de R$ 900 mil. 

Nesse período, renovou o plano de trabalho do cursinho com a prefeitura de São José dos Campos e ajudou a expandir os materiais autorais do CASD para outros seis cursinhos populares, em locais como Brasília, no Capão Redondo (SP) e no Instituto Federal de Campos do Jordão. “Essa experiência foi incrível porque me tirou da bolha acadêmica”, conta.

De volta ao Ceará

Depois de quase uma década dedicada à educação, Bismarck decidiu, no fim de 2024, explorar outros caminhos. Passou por um estágio na fintech Brex e, mais recentemente, começou a trabalhar como Business Analyst na Zippi, uma fintech que oferece crédito no Pix para trabalhadores autônomos. A mudança também trouxe uma decisão pessoal: em vez de se mudar para São Paulo, optou por voltar a morar em Fortaleza. Ao lado de dois amigos, também desenvolve o RachAI, aplicativo gratuito de gestão de contas entre amigos com integração ao WhatsApp e Inteligência Artificial.

Questionado sobre como concilia trabalho, empreendedorismo e o último ano de faculdade, Bismarck explica que aprendeu a levar a vida com leveza, mas que nem sempre foi assim. Depois de ter enfrentado problemas como gastrite e crises de enxaqueca desencadeados pelo estresse, ele aprendeu a organizar a rotina de modo a não ser engolido por ela. 

“Se sinto que preciso, mesmo tendo muitas coisas para fazer, eu vou espairecer. Saio para dar uma volta no parque, tomar um café ou ir à academia. Naquele momento, tento esquecer as pendências. No final das contas, você tem tempo para dar conta de tudo se você der tempo para você”, diz. 

Ele carrega a filosofia de trabalhar para viver, e não viver para trabalhar. Foi um processo, mas Bismarck afirma que esse modo de vida está mais alinhado com o que ele acredita: “Se sinto que estou só me deixando levar e não estou me desafiando, sinto que estou estagnado. E se não estou aprendendo, que diferença estou fazendo no mundo?”, finaliza.



O que você achou desse post?

Sobre o escritor

Artigos relacionados

Os melhores conteúdos para impulsionar seu desenvolvimento pessoal e na carreira.

Junte-se a mais de 1 milhão de jovens!