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Um ano e mais de dez países: minha experiência no Baret Scholars

Avião pousando

Por Ana Beatriz Lopes de Souza, participante do Prep Program em 2024

No último ano, vivi o melhor ano da minha vida e provavelmente o ano em que mais cresci como aluna, pessoa e profissional. E, não, não foi dentro de uma faculdade ou escola, mas sim tirando um gap year

Em 2026, eu me graduei na segunda turma do Baret Scholars, um programa de ano sabático que leva alunos internacionais para sete regiões do mundo durante um ano escolar, e, no meu caso, para mais de dez países em um ano. O objetivo é que os estudantes se tornem alunos do mundo e que possam dialogar com diferentes culturas e pessoas. No meu ponto de vista, a Baret é o lugar que faz as diferenças serem pontes para novos aprendizados, e é isso que senti no último ano.

O programa em si tem muitas vertentes, mas o mais importante é o Morning Program. Esta é uma das partes mais preciosas, na qual temos palestrantes todos os dias para falar sobre suas áreas de especialidade. Tivemos Mychael Arndt para falar sobre screenwriting em Nova Iorque, vereadoras de São Paulo para falar sobre política, palestrantes para falar de artes em Paris e outros convidados de todas as regiões.

Para mim, esses momentos me ajudavam a abrir os meus olhos para novos negócios, políticas, perspectivas e tudo o que vinha a seguir. Para muitos alunos, era uma oportunidade de networking, e para outros era simplesmente um momento diário de exposição a pensamentos novos. Qualquer que seja seu motivo, o morning program vai ajudar a entender um pouco mais sobre o que as pessoas daquela cidade estão fazendo. 

Depois disso temos os Afternoon Options, que, como o nome diz, são opcionais, porém altamente valiosos. No meu ano, tivemos  empreendedorismo, filosofia, políticas públicas, filmmaking, storytelling, e relações internacionais. Eu fiz filosofia e políticas públicas, o que me ajudou muito a escolher meu curso na faculdade. Me recordo de estar em Paris durante uma das aulas e falarmos sobre como os políticos tomam suas decisões, e com base em quais fatores eles tomam essas decisões. 

No final do meu ano de Prep Program, conheci essa oportunidade através de uma amiga que tinha feito o programa no ano anterior ao meu. Ela estava sempre viajando para vários países e nunca entendi muito bem, mas quando ela me explicou do que se tratava, eu sabia que valia todo centavo e tempo de um outro gap year.

No meu ano, precisei enviar uma redação com tema “Carta para o futuro”, na qual eu prometia a mim mesma falar com comunidades locais, tirar dúvidas e abrir meus horizontes para conhecer diferentes pontos de vista. Além disso, enviei um vídeo falando sobre minha experiência passada viajando e por que eu queria ser uma Baret Scholar; falei sobre quando viajei para os Estados Unidos aos 17 anos para participar de um programa internacional de liderança e como aquela experiência abriu meus olhos sobre as diferenças entre países. Além disso, falei sobre minha viagem para o Rio de Janeiro e como conheci tantos amigos que se tornaram a minha família.

Após enviar minha candidatura, recebi um convite para fazer parte das entrevistas, e lá tive uma entrevistadora incrível. O nome dela era Kalady, e posso dizer que foi uma das melhores pessoas que já conheci. Na entrevista, conversamos sobre como viajar abriu meus olhos para as diferenças que existem entre as pessoas, mas que apesar de já ter tido um primeiro contato, eu ainda queria explorar mais essa área para entender como nossas diferenças poderiam se juntar para serem mais fortes.

Após a entrevista, a resposta não foi tão rápida. Eu fui deferida e aceita dia 29 de maio de 2025, 4 meses depois da minha entrevista. O processo seletivo foi algo muito simples e tranquilo para mim, e foi onde abri meu coração sobre o porquê eu queria viajar o mundo com eles. 

Acredito que não exista uma fórmula mágica ou dica que vá ser o ponto-chave para uma pessoa ser aceita, mas como uma aluna formada na Baret, eu digo que é necessário ter muita curiosidade pelo desconhecido e estar genuinamente aberto para ter seus pensamentos, crenças e ideias contraditos e às vezes desafiados todos os dias do programa. Não porque haverá discussões, o que raramente ocorreu, mas porque você será exposto a uma gama tão grande de pensamentos em um curto espaço de tempo que isso vai te mostrar que, na verdade, mesmo que se tenha estudado muita história e geografia, não sabemos nada sobre o mundo a fora. Acredito que isso foi essencial durante a minha viagem, e se você está aplicando para a Baret, tenha em mente que curiosidade, proatividade e respeito a diferenças são o mais importante. 

Além disso, no meu ano eu tive acesso a figuras que vão desde CEOs até políticos, e tive muitas mentorias com eles. Lembro-me de sentar para almoçar com investidores em Paris e jogadores da NBA em Nairobi. Porém, além disso, tive mentores graduados em Cambridge, Williams, Cornell e muitos outros que me ajudaram imensamente a aprender sobre política, economia, cultura e muito mais em cada país por que eu viajei.

Com os meus amigos, aprendi espanhol, política da Europa, mais sobre diplomacia, cultura e, o principal, aprendi sobre o que é ser humano antes de um passaporte. Atualmente, não damos a necessária atenção para o quanto ouvir e conversar com diferentes pessoas pode de fato nos ajudar a crescer como pessoas e profissionais, e na Baret eu aprendi isso. Aprendi como poderia trabalhar com consultoria dentro do impacto social, como começar uma start-up, ou até mesmo como engajar com economia. 

Com essas conexões, criei meu próprio projeto falando sobre como a violência sexual está presente em cada país que visitei, e como a política pública de cada país aborda esse problema, o que foi essencial para eu decidir estudar Government and Legal Studies na faculdade de Bowdoin College neste ano. Estudei sobre urbanização, globalização, diplomacia e como todos esses fatores juntos são importantes para os estudos de relações internacionais. Posso dizer que de fato aprendi a ser mais interdisciplinar neste estudo e a procurar entender que um mesmo problema é abordado de diferentes maneiras em cada país. 

Contudo, apesar de parecer um sonho (e eu acho que é mesmo!), tudo tem suas dificuldades, e para mim foi a diferença de horário. Sim, a famosa timezone! Foi minha primeira vez viajando para a Ásia sozinha, e estar a seis, oito, onze e doze horas de diferença da minha família foi muito difícil, principalmente nos momentos em que me sentia sozinha e precisava falar português com alguém—o que foi outra questão.

Eu fui a única brasileira no primeiro termo da Baret, então passei os três primeiros meses praticamente sem minha língua materna no programa, o que foi desafiador, mas me ajudou muito a estar mais confortável no desconforto. Além disso, não acho que tive grandes desafios porque dentro do programa aprendi a ser resiliente. Desde as minhas 25 horas de viagem e layover em aeroportos até viver com uma mala de 23 kg durante um ano, e me adaptar a línguas e cidades diferentes toda semana. De certa forma, eu aprendi a ser extremamente adaptável a qualquer tipo de cenário dentro da Baret. E, agora, acho que isso será crucial para ir para a faculdade em setembro. 

Finalmente, se você está se inscrevendo para a Baret, eu diria que seja curioso(a)! Não há nada mais valioso do que a curiosidade genuína para aprender com o desconhecido. Meus melhores dias foram na Turquia e no Nepal quando me engajei com os moradores locais para aprender sobre as cidades. No Nepal especificamente, onde tinham muitos backpackers, ouvir sobre a vida deles foi o melhor insight que pude ter da Baret. Aprendi acima de tudo que a vida é imprevisível, e se queremos controlar tudo ao nosso redor sem saber como resolver os problemas, nunca vamos estar satisfeitos com nossas vidas. Portanto, seja curioso(a), proativo, e confie no seu potencial. 

 

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