Por Paulo César Moraes – sócio fundador da Philadelphia Consulting
Definitivamente a informação é a nossa melhor aliada! Tendo lidado com a grande ansiedade e com muitas concepções errôneas dos mais de 3500 alunos brasileiros durante os meus 17 anos treinando para o GMAT, vejo o esclarecimento como um meio principal de reduzir a apreensão e canalizar a energia para um desempenho de sucesso nesta prova. Vamos desvendá-la!
Testar para direcionar e avançar
Testar e avaliar, para então melhor direcionar e maximizar habilidades tem sido um dos grandes pilares da cultura educacional estadunidense. A utilização de testes padronizados, os quais medem alunos de maneira objetiva e uniforme, é rotina em toda a cadeia educativa, desde o ensino fundamental até os cursos de doutorado. O objetivo é verificar o desempenho e/ou conhecimento do aluno para melhor orientá-lo em sua carreira educacional, e em muitos casos, classificá-lo para avançar em processos seletivos que requeiram avaliações extremamente sensíveis para filtrar os mais aptos dentre o grupo de participantes.
Historicidade do GMAT
O GMAT, Graduate Management Admission Test, administrado desde 1954, é o teste mais apropriado e pleiteado para as áreas administrativas, pois tanto seu design quanto seu nível de desafio nas várias áreas o caracteriza como eficaz ferramenta e ponto de partida para a avaliação no processo seletivo dos cursos de MBA mais ambicionados internacionalmente. Administrado em 110 países, e utilizado no processo seletivo de mais de 5800 cursos da área de negócios, o GMAT é enfrentado por aproximadamente 250.000 candidatos anualmente em todo o mundo.
A organização responsável pelo GMAT é o GMAC, uma organização internacional sem fins lucrativos, cujo padrão de excelência na área de negócios é notável, e que reúne a escolas líderes no campo de treinamento de pós-graduação em administração. Embora severamente questionado, o GMAT prevalece como uma ferramenta singular para triar os melhores candidatos que uma vez parte dos melhores cursos de MBA, serão os líderes que impactarão empresas, economias e até países.
O que o GMAT testa?
Diferente de vários testes padronizados, cujas notas se elevam proporcionalmente ao acúmulo de conhecimento, o GMAT é peculiar em sua elasticidade, pois avançando além do conteúdo predeterminado, que pode e deve ser treinado especificamente para a prova, o teste mede principalmente o raciocínio lógico, a precisão de desempenho e a velocidade deste raciocínio nos moldes verbal e quantitativo, habilidades estas que já foram desenvolvidas durante a vida acadêmica do candidato. Portanto, cada candidato deverá buscar aplicar o raciocínio desenvolvido em sua trajetória educacional, familiarizando-se e treinando nos moldes propostos pelo GMAT, e descobrindo assim o seu potencial máximo na prova. Em consenso geral, há mais de meio século o GMAT mede de maneira exemplar as habilidades presentes dos candidatos em relação às habilidades necessárias para sucesso dos mesmos em cursos de MBA e na carreira.
Encarar uma prova como esta é por a prova toda a destreza educacional no processo mais desafiador até então vivido pelo candidato. Em contrapartida, uma nota alta no GMAT, aliada a um forte perfil de application, abrirá oportunidades para outros desafios nas melhores escolas de negócios, além de poder contribuir para a obtenção de uma bolsa de estudos por mérito!
Formato e conteúdo da prova
Sendo um teste de múltipla escolha e adaptativo, o GMAT detecta o nível do candidato no início das partes quantitativa e verbal, e então adapta-se a este, mantendo-o até a conclusão do teste e determinando a nota final. A prova apresenta a seguinte estrutura:
– a seção de redação analítica mede a habilidade do candidato de criticar um argumento de forma estruturada, apontando falhas e minando as premissas. O maior desafio é escrever um texto crítico, preciso e estruturado, com aproximadamente 450 palavras em 30 minutos.
– a seção de raciocínio integrado mede a habilidade do aluno de sintetizar, combinar, organizar, e avaliar informações de várias fontes, tais como gráficos, tabelas e textos, demonstrando raciocínio treinado para discernir informações e chegar a conclusões no mundo de negócios de hoje; o maior desafio é ser versado em absorver informações apresentadas em formatos inusitados e em aplicar bom senso na avaliação de informações múltiplas.
– a seção quantitativa lida com temas matemáticos que os brasileiros aprenderam durante o ensino médio, e o maior desafio é a agilidade para terminar as 37 questões dentro do tempo proposto. Agilizadores são fundamentais para sucesso nesta seção.
– a seção verbal lida com interpretação de texto, raciocínio lógico dedutivo e indutivo aplicado e discernimento gramático-estrutural da língua inglesa; o maior desafio é o aluno ter o domínio do idioma inglês suficiente para demonstrar a precisão de seu raciocínio verbal nos moldes testados.
Tecnicalidades
– o GMAT é oferecido durante o ano todo, diariamente durante a semana (salvo feriados e datas festivas) no período da manhã ou à tarde, ao custo de 250 dólares (já inclui o envio para 5 escolas a serem determinadas no dia do exame); pode-se retomar o GMAT até cinco vezes no período de 12 meses com um intervalo mínimo de 31 dias entre as provas; normalmente é necessário inscrever-se para a prova com uma semana de antecedência; no Brazil e o teste é oferecido nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife e Brasília; algumas cidades podem apresentar restrições de datas, tornando necessária maior antecedência na inscrição. Veja onde se matricular AQUI.
– a despeito do que foi feito no passado, após a adoção do formato adaptativo em 1998, as faculdades não mais fazem a média das provas do candidato (quando este toma mais que uma), mas consideram a sua maior nota para o processo de seleção, seja ela a primeira, a segunda ou terceira, não importa; é normal para um aluno internacional tomar duas provas;
– A pontuação do GMAT vai de 200 a 800 pontos, sendo resultado do desempenho das partes quantitativas e verbais igualmente e informada imediatamente ao término da prova; as notas da Redação (de 0 a 6 pontos) e da seção de Raciocínio Integrado (de 1 a 8 pontos) são informadas após alguns dias, por e-mail e não impactam na pontuação geral (200-800) já definida anteriormente;
– Não é permitido o uso de calculadora durante a sessão de matemática;
– Não é possível pular questões durante a prova de verbal e quantitativa, pois a próxima questão só será fornecida mediante a confirmação da resposta da questão que está sendo resolvida;
– Recomenda-se não deixar questões em branco no final da prova (por falta de tempo), pois tal prática afeta negativamente a nota.
– Questões erradas não implicam em descontos de questões corretas.
– Devido a inúmeras fraudes, tanto na tentativa de acessar o conteúdo da prova para então compartilhá-lo com pessoas que tomariam a prova subseqüentemente, quanto na troca de identidade de uma pessoa por outra para tomar a prova, existe um sistema de segurança desde a inscrição até o dia do exame, ocasião em que exige-se um documento de identidade atualizado e a coleta de impressões digitais para confirmação.
Dicas iniciais de estudos
– o erro mais comum entre os alunos brasileiros é comprar livros de GMAT e completá-los na íntegra, sem nenhum critério, desperdiçando o material pela utilização errônea, resultante da falta de esclarecimento quanto ao próprio nível e quanto à fase ideal da preparação para utilização do material e maximização de resultado. O primeiro passo é buscar entender o seu nível de desempenho atual na prova em relação à média do GMAT publicada por cada universidade contemplada. O aluno deve buscar entender o seu nível ou através de um teste diagnóstico oferecido em um centro de preparatório de GMAT, com a sua devida devolutiva e orientação, ou usar o teste diagnóstico disponível no livro oficial, acesse AQUI.
– em geral, os alunos brasileiros devem com certeza buscar um embasamento na parte verbal e quantitativa antes de praticarem com as questões oficiais da prova.
– todos alunos têm desafio com o tempo da prova! O GMAT é inclusive uma prova de gerenciamento de tempo, e este componente é determinante na nota. Conseqüentemente, para a maioria dos alunos brasileiros existe a necessidade de um planejamento de estudos ritmado, disciplinado, e intenso para o treinamento do raciocínio e bom desempenho na prova. Estudos de 3 a 6 meses são normais, período em que a prática de simulação de 20 a 25 provas completas se faz necessária para a maximização do raciocínio do aluno.
– uma nota de pelo menos 700 pontos, média das escolas líderes e objetivo inicial dos candidatos, é geralmente composta por um percentile de 85 na matemática e 79 no verbal para os brasileiros, visto que estes têm maior facilidade de pontuar na parte quantitativa, onde vários gabaritam a prova. Portanto, nosso grande desafio é geralmente a parte verbal, que, diga-se de passagem, é uma prova preparada para falantes nativos com procedência acadêmica em língua inglesa, e que portanto desafia o domínio do brasileiro no idioma aplicado ao raciocínio verbal da prova.
Mais detalhes sobre como se preparar para as partes da prova e entender o seu processo de adaptação serão apresentados nos próximos artigos.
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Paulo César Moraes – Colunista sobre GMAT e orientação para MBA no exterior
