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Por que tantos brasileiros querem estudar em Portugal?

Por Gustavo Sumares
08.08.2019

Idioma, custo de vida e endurecimento das leis para estrangeiros nos EUA e no Reino Unido são alguns dos fatores decisivos na escolha.


Os brasileiros são, atualmente, a maior comunidade estrangeira em Portugal. Foram estimadas mais de 105 mil pessoas em situação regular no país europeu em 2018, o que significou, de acordo com a polícia de fronteiras (SEF), um aumento de 23,4% no número de imigrações em um ano — um recorde histórico. E, de fato, estudar em Portugal é um dos principais interesses dos leitores do Estudar Fora.

Além de imigrantes que vão em busca de trabalho e melhores condições financeiras, o número de estudantes brasileiros em universidades portuguesas também cresceu no mesmo período, passando de pouco mais de 11.000 em 2017 para cerca de 18.000 no ano passado, segundo dados da Direção Geral de Estatísticas da Educação.

A situação na Grã-Bretanha, por causa das “incertezas do Brexit”, e nos Estados Unidos, que endureceram os critérios para a entrada de latino-americanos, também “afastam muitos estudantes que tradicionalmente se voltavam para esses países”. Agora, eles optam por Portugal, acrescenta o sociólogo Pedro Gois, da Universidade de Coimbra.

Para o secretário de Estado para a Educação Superior português, João Sobrinho Teixeira, outro fator que atrai os brasileiros para estudar em Portugal é o de este ser “um país culturalmente próximo” ao Brasil e “reputado por sua qualidade de vida e segurança”, relatou à Agência France Press (AFP).

Como é estudar em Portugal?

A proximidade cultural foi o que fez Marília Silva Mencucini, de 28 anos, escolher Lisboa como destino do seu intercâmbio na graduação. Editora de som formada pela Universidade de São Paulo, Marília cursou um semestre de Cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC) do Instituto Politécnico de Lisboa entre 2015 e 2016. “Conhecer cotidianamente o país que nos colonizou foi muito interessante, notar as grandes semelhanças e as mais gritantes ainda diferenças entre nós e eles era uma das minhas coisas preferidas de morar em Portugal”, explica a ex-intercambista.

Menor custo de vida na cidade e clima mais ameno, em comparação a outras capitais do continente europeu, também foram decisivas na escolha. “Na época, Lisboa era uma das mais baratas para se viver dentre as cidades do programa de intercâmbio oferecidos pela minha faculdade”, lembra Marília. “Outro fator foi o clima, menos rigoroso que o de outras localidades europeias, já que eu estava indo no semestre de inverno e odeio frio.”

Dânica Machado, de 26 anos, ex-estudante de Design da Unesp (Bauru-SP), escolheu a Universidade do Porto, por não precisar de prova de proficiência de língua estrangeira, que, além de retardar o processo de seleção para o intercâmbio, também podem ser caras. “Apesar de o sotaque e a entonação serem diferentes, o fato de falarmos a mesma língua permite uma comunicação mais  leve, o que é importante para um melhor aproveitamento do meio acadêmico”, diz.

Para Ana Lara Cardoso, aluna intercambista de relações internacionais na Universidade do Porto, as facilidades burocráticas e incentivos para brasileiros estudarem em Portugal foram os motivos que a fizeram escolher a cidade portuguesa como destino.  “Apesar de longo e de ter que tirar visto – cidadãos brasileiros não necessitam de obter visto para Portugal se permanecerem no país no máximo por 90 dias – o processo e a comunicação com a universidade estrangeira foi bem tranquila e sem muitas complicações”.

Boa colocação em rankings, facilidade de se locomover e de viajar para outros países foi o que fez Thyago Coimbra Cabral, 28 anos, professor e bacharel em Direito, fazer intercâmbio na Universidade do Porto, uma das mais requisitadas entre os brasileiros. “ A cidade do Porto é muito legal de se viver (eu vivia no centro, perto da Trindade, que também era perto da minha universidade), bastante organizada e com transporte público eficiente, apesar de que eu andava muito de bicicleta por lá”, conta Thyago.

Mas um dos maiores benefícios de estudar em Portugal, segundo ele, foi a ampliação de horizontes possibilitada pela experiência. “A cabeça abre muito. Sair daquela bolha que você está acostumado, conhecer gente de outros lugares, culturas, histórias, opiniões, backgrounds. Foi ótimo, porque me forçou a ver que o mundo é muito maior do que o meio que eu conhecia antes.”

Oportunidades de estudar em Portugal

Além dos intercâmbios através dos convênios acadêmicos entre universidades portuguesas e brasileiras disponíveis de acordo com cada instituição, há também algumas oportunidades patrocinadas pelo Banco Santander, em programas como as Bolsas Ibero-Americanas.

Para quem deseja cursar uma graduação completa no país europeu, os governos brasileiros e portugueses tentam diminuir ainda mais a burocracia no processo desde 2014, quando o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação (MEC),  passou a firmar acordos de cooperação com universidades e institutos portugueses.

Atualmente, pelo menos 37 instituições portuguesas aceitam a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) para selecionar candidatos brasileiros, como a Universidade de Coimbra, Universidade do Porto, Universidade de Lisboa, entre outras. Mas só pode usar a nota do ENEM quem é 100% brasileiro — ou seja, não pode ter dupla-cidadania europeia.

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