Por Vitor Hugo Comparin Novello
Enquanto muitos estudantes veem fórmulas, gráficos e conceitos apenas no quadro, durante meu ensino médio, eu tive a oportunidade de ver esses tópicos em laboratórios, protótipos e resultados concretos. Essa é, para mim, uma das experiências mais transformadoras que pude ter ao desenvolver pesquisa científica durante um curso técnico integrado ao Ensino Médio
Cada vez mais estudantes brasileiros conciliam o ensino médio com a educação profissional. Mesmo assim, ainda é comum ouvir que o conteúdo aprendido em sala de aula parece distante da realidade, mas a pesquisa, no meu caso, mudou completamente essa percepção.
Por meio de projetos de ensino, pesquisa e extensão — ofertados por Instituições Federais — conceitos de diferentes áreas, como química, estatística, desenho técnico, programação e ciência dos materiais deixaram de ser apenas temas de prova e passaram a fazer parte de projetos práticos. Em um estudo sobre a adesão de tintas em peças impressas por impressoras 3D, precisei planejar metodologias de testes, seguir normas técnicas, elaborar corpos de prova, registrar resultados e analisar dados. Em projetos de robótica educacional, combinei programação e eletrônica para resolver problemas reais e criei atividades interdisciplinares que pudessem ser utilizadas por outros estudantes.
O mais interessante é que a pesquisa vai muito além do conhecimento técnico. Ela ensina o estudante a passar por todo o processo crítico por trás dessa atividade extracurricular, formulando perguntas, lidando com hipóteses que nem sempre dão certo, interpretando resultados, escrevendo relatórios, apresentando trabalhos em eventos científicos e trabalhando em equipe.
Além disso, com o tempo, percebi que o impacto da pesquisa não se limitava a mim. Ao participar de projetos voltados à educação maker e à robótica, pude criar materiais didáticos, contribuir para a formação de professores e compartilhar experiências em eventos acadêmicos. O que começou como uma simples participação em uma atividade extracurricular passou a impactar positivamente a educação de outras pessoas; por isso gosto muito da seguinte frase: “De que vale o conhecimento se ele não for compartilhado?”.
Ao longo desses anos, a pesquisa técnico-científica me ensinou que aprender vai muito além de acumular informações — modelo que Paulo Freire chamou de educação bancária. Pesquisar é ser um participante ativo da construção do conhecimento, questionar, investigar, criar e compartilhar descobertas. Em uma instituição pública de ensino técnico, minha experiência evidencia claramente, que quando incentivadas, a educação de qualidade e a pesquisa podem formar estudantes que não são somente preparados para provas, mas indivíduos capazes de produzir conhecimento, desenvolver soluções, inspirar outros jovens e gerar transformações reais na comunidade em que vivem.
E você sabia que as universidades americanas procuram estudantes que tenham habilidades que podem ser desenvolvidas por meio da pesquisa? Harvard afirma buscar estudantes que explorem interesses intelectuais com profundidade; o MIT destaca a importância de criar, descobrir ou contribuir além da sala de aula; e Princeton procura candidatos com envolvimento contínuo e significativo em uma área de interesse.
Se você se interessou por pesquisa, algumas das maneiras que você pode engajar com essa atividade são:
- Procure iniciativas na sua escola
Diversas instituições, como Institutos Federais, Colégios Militares e escolas técnicas, possuem projetos de pesquisa, feiras científicas, clubes de ciência ou programas de iniciação científica. Converse com seus professores e coordenação para saber quais oportunidades estão disponíveis. - Busque oportunidades em outras instituições
Universidades, institutos de pesquisa e até empresas costumam desenvolver projetos que envolvem a participação de estudantes. Pesquise grupos de pesquisa da sua região, identifique aqueles que atuam nas áreas de seu interesse e entre em contato com os professores responsáveis demonstrando interesse em colaborar. Em muitas universidades, estudantes do ensino médio podem participar como colaboradores externos ou voluntários. - Desenvolva uma pesquisa de forma independente
Caso não encontre um projeto já existente, você pode começar sua própria investigação sobre um tema de interesse e solicitar a orientação de um professor da sua escola ou de uma instituição de ensino superior. Muitos projetos de pesquisa começam justamente a partir da curiosidade e da iniciativa do próprio estudante.
A coluna acima foi escrita por Vitor Hugo Comparin Novello, participante do Prep Program, preparatório da Fundação Estudar com foco em jovens que desejam cursar a graduação no exterior. Totalmente gratuito, o programa oferece orientação especializada sobre o processo de candidatura em universidades de fora do país. Saiba mais e faça sua inscrição aqui.
