Seja por influência de filmes e séries, pela excelência acadêmica ou pela predominância da língua inglesa, é fato que os Estados Unidos frequentemente aparecem no topo da lista de quem pensa em fazer faculdade em outro país. Em alguns casos, essa é uma preferência que vale a pena ser revista, já que existem universidades espalhadas pelo mundo que podem fazer tanto ou mais sentido do que uma nos EUA.
Para te ajudar a pensar nessa possibilidade, conversamos com Thamiris Tavares, Application Advisor do Prep Program, para entender como os estudantes podem pensar em sua college list olhando também para universidades fora dos Estados Unidos.
Comece pelo macro: país, região e cidade
Antes de pensar em universidades específicas, pense no país onde você está pensando em ir estudar. Se mudar para um país mais distante do que os Estados Unidos, por exemplo, envolve outras questões: fuso horário, voos mais longos com mais escalas, custo de passagens. Esses pontos pesam na sua decisão ou a preferência é por um país mais próximo?
Interesses pessoais também entram aqui: familiares que vivem em outro país, curiosidade e interesse por um lugar específico, um plano de carreira que passa por determinada região do mundo.
Depois de decidir a região, entra a escolha entre cidades grandes, centros econômicos movimentados, ou cidades menores, com um ritmo diferente. Esse recorte já ajuda a reduzir bastante o número de universidades na lista.
A língua é um dos fatores mais importantes
Um dos pontos centrais é o idioma do curso. A primeira pergunta é se o estudante está aberto a cursar a graduação em um idioma que não seja o inglês. Se estiver, é importante entender qual o nível de proficiência necessário, já que algumas universidades exigem certificados de idioma já no momento da aplicação.
Também existe a possibilidade de estudar em inglês em um país onde essa não é a língua local. Hong Kong e Singapura, por exemplo, oferecem cursos totalmente em inglês, mesmo com o idioma do dia a dia sendo outro. Para alguns estudantes, essa é até uma oportunidade extra de aprender um novo idioma fora da sala de aula; para outros, pode não ser confortável morar em um lugar onde não falam a língua local. Não existe resposta certa, é uma questão de preferência pessoal.
Fatores acadêmicos: flexibilidade, major e pesquisa
Assim como nos EUA, vale observar o perfil acadêmico da universidade: é mais voltada para tecnologia, para pesquisa, tem uma pegada mais liberal arts?
Um ponto de atenção é a flexibilidade curricular. Os Estados Unidos são conhecidos por permitir trocar de curso com facilidade e por currículos menos engessados. Em outros países, o estudante muitas vezes já se aplica para um curso específico, e mudar de área depois pode ser bem mais difícil. É importante avaliar o grau de segurança sobre o que se pretende estudar antes de tomar uma decisão.
Bolsas e custos variam bastante entre países
O modelo de financial aid também muda de país para país. Nos Estados Unidos, é comum que a própria universidade ofereça bolsas. Em outros lugares, pode ser necessário se candidatar a bolsas específicas, separadas da universidade, ou encontrar instituições com mensalidades mais baixas. Em algumas partes da Europa, o custo pode ser bem mais acessível, com o pagamento de uma taxa semestral.
Diversidade, comunidade e identidade também contam
Vale pensar também em fatores culturais: o quanto a diversidade do campus importa, se ter uma comunidade brasileira relevante é um critério, como a religião é vivida naquele país e naquela universidade, e como estudantes LGBTQ+ são recebidos no campus e na sociedade local. Esses pontos ajudam bastante a eliminar ou priorizar países e universidades na hora de montar a lista.
E quem sempre sonhou só com os EUA?
Para estudantes que sempre pensaram exclusivamente nos Estados Unidos, vale entender o motivo antes de sugerir expandir a lista. Às vezes é falta de informação sobre outras opções. Nesse caso, pode valer a pena pensar em alternativas. Um detalhe interessante é que em muitos países o processo de aplicação é mais simples, solicitando apenas um personal statement, sem o volume de ensaios suplementares comuns nas universidades dos EUA.
Uma opção interessante para quem quer se sentir mais confortável, sem abrir mão do sistema americano, são as universidades americanas com campus em outros países, como NYU em Xangai ou Abu Dhabi, Georgetown e Northwestern no Catar, entre outras. Nesses casos, a aplicação segue o modelo americano, geralmente pelo próprio Common App, mas o estudante vive a experiência de morar em outra região do mundo, com aulas em inglês. O Canadá também costuma ser uma porta de entrada natural para quem está começando a se abrir para fora dos EUA, já que o processo de aplicação é parecido e a cultura tem muitos pontos em comum.
Prep Program
Para apoiar esse movimento, o Prep Program passa a oferecer, a partir de 2027, suporte também para aplicações a universidades do mundo todo, e não apenas dos Estados Unidos. Os jovens interessados em estudar fora dos EUA terão apoio direcionado para isso, incluindo ajuda com personal statements e outros materiais específicos exigidos por cada universidade.