Um projeto: Fundação Estudar

Graduação

O que você precisa saber para cursar uma graduação fora do Brasil

19.08.15

Dos lixões de Ruanda à Universidade Harvard

Dos lixões de Ruanda à Universidade Harvard

Conheça a história de Justus Uwayesu que, após ter os pais assassinados, viveu parte da infância em um lixão. Hoje, está na melhor universidade do mundo

Em 1994, Justus Uwayesu, então com cerca de 3 anos, sobreviveu ao genocídio de Ruanda, em que cerca de 800.000 pessoas da etnia tutsis foram mortas em 100 dias. Seus pais, no entanto, não tiveram a mesma sorte e foram assassinados. Hoje, aos 23 anos, Justus Uwayesu cursa o 2º ano de graduação em Harvard, nos EUA.

Entre o assassinato dos pais e o ingresso na mais prestigiada universidade do mundo, há uma história inacreditável de sobrevivência e superação, contada em detalhes pelo jornal The New York Times.

Na ocasião do genocídio, Justus e mais três irmãos foram resgatados por funcionários da Cruz Vermelha e com eles moraram até 1998, quando foram devolvidos à aldeia onde nasceram. Orfãos, passando fome e sem qualquer perspectiva, ele e os irmãos decidiram ir para Kigali, capital de Ruanda, em busca de comida e ajuda. Em vez disso, acabaram em Ruviri, um lixão na periferia da cidade, que era o lar de porcos e centenas de crianças orfãs.

Ele vivia com outras crianças em um carro queimado, sem janelas, mas que oferecia alguma proteção contra o sol e a chuva. Dormia sobre papelão e para comer contava com os restos de comida despejados por caminhões no local. “Foi um momento muito escuro porque eu não via futuro”, disse ele. “Eu não conseguia enxergar como a vida poderia ser melhor”.

Sua história mudou quando em um domingo de 2001 a norte-americana Clare Effiong, que trabalha para a caridade, visitou o lixão. A maioria das crianças ao vê-la se dispersou, mas não Justus. Ele ficou parado onde estava e, quando questionado sobre o que gostaria, respondeu: “Eu quero ir para a escola”. Clare conta: “Eu o levei para onde eu estava, dei banho, roupas, cuidei dos ferimentos dele e o enviei para a escola primária”.

No primeiro ano na escola, Justus terminou como o primeiro aluno da sala. Ele se mudou com duas irmãs para um orfanato fundado por Clare em Kigali, na Ruanda, para abrigar crianças orfãs do genocídio.

Justsus continuou na escola e continuou se destacando. Quando acabou o ensino médio, participou do programa Bridge2Rwanda, administrado por uma instituição de caridade e que prepara estudantes talentosos para o processo de seleção de faculdades estrangeiras.

Em 2014, quando Justus se candidatou à Harvard, havia somente mais uma aluna de Ruanda na instituição. A partir daí, você já pode imaginar a história: ele aplicou e foi aceito, recebendo uma bolsa de estudos integral que cobre mensalidade e custo de vida nos EUA.

Em Harvard, Justus concentra seus estudos nas áreas de matemática, economia e direitos humanos. Desde que deixou o lixão, ele está envolvido em uma série de projetos sociais e ajudou a fundar uma instituição de caridade em seu país que ajuda jovens pobres do ensino médio com assistência médica e escolar.

Em Boston, conta com a ajuda dos colegas para se adpatar ao estilo de vida norte-americano, tão diferente do de sua terra natal. “A cultura dos EUA é mais frenética, turbulenta. As pessoas trabalham duro para tudo, fazem as coisas rápido e mudam rápido. Eles são mais diretos, te falam o que pensam sem reservas”, conta. Nada muito difícil para quem morou em um lixão.

*Foto: reprodução do The New York Times

Precisa de mais inspiração para ir atrás de seus sonhos?
Leia a redação que ajudou jovem da periferia de SP a ser aceito em Harvard 
Acesse um especial do Estudar Fora só com histórias para te inspirar 

Conecte-se ao Estudar Fora

http://promo.estudarfora.org.br/07de78d376d72cb1d7d3

Leia Mais

impacto social
estudar na Asia
tudo sobre o GMAT
estudar idiomas