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Dos lixões de Ruanda à Universidade Harvard

Por Lecticia Maggi

Em 1994, Justus Uwayesu, então com cerca de 3 anos, sobreviveu ao genocídio de Ruanda, em que cerca de 800.000 pessoas da etnia tutsis foram mortas em 100 dias. Seus pais, no entanto, não tiveram a mesma sorte e foram assassinados. Hoje, aos 23 anos, Justus Uwayesu cursa o 2º ano de graduação em Harvard, nos EUA.

Entre o assassinato dos pais e o ingresso na mais prestigiada universidade do mundo, há uma história inacreditável de sobrevivência e superação, contada em detalhes pelo jornal The New York Times.

Na ocasião do genocídio, Justus e mais três irmãos foram resgatados por funcionários da Cruz Vermelha e com eles moraram até 1998, quando foram devolvidos à aldeia onde nasceram. Orfãos, passando fome e sem qualquer perspectiva, ele e os irmãos decidiram ir para Kigali, capital de Ruanda, em busca de comida e ajuda. Em vez disso, acabaram em Ruviri, um lixão na periferia da cidade, que era o lar de porcos e centenas de crianças orfãs.

Ele vivia com outras crianças em um carro queimado, sem janelas, mas que oferecia alguma proteção contra o sol e a chuva. Dormia sobre papelão e para comer contava com os restos de comida despejados por caminhões no local. “Foi um momento muito escuro porque eu não via futuro”, disse ele. “Eu não conseguia enxergar como a vida poderia ser melhor”.

Sua história mudou quando em um domingo de 2001 a norte-americana Clare Effiong, que trabalha para a caridade, visitou o lixão. A maioria das crianças ao vê-la se dispersou, mas não Justus. Ele ficou parado onde estava e, quando questionado sobre o que gostaria, respondeu: “Eu quero ir para a escola”. Clare conta: “Eu o levei para onde eu estava, dei banho, roupas, cuidei dos ferimentos dele e o enviei para a escola primária”.

No primeiro ano na escola, Justus terminou como o primeiro aluno da sala. Ele se mudou com duas irmãs para um orfanato fundado por Clare em Kigali, na Ruanda, para abrigar crianças orfãs do genocídio.

Justsus continuou na escola e continuou se destacando. Quando acabou o ensino médio, participou do programa Bridge2Rwanda, administrado por uma instituição de caridade e que prepara estudantes talentosos para o processo de seleção de faculdades estrangeiras.

Em 2014, quando Justus se candidatou à Harvard, havia somente mais uma aluna de Ruanda na instituição. A partir daí, você já pode imaginar a história: ele aplicou e foi aceito, recebendo uma bolsa de estudos integral que cobre mensalidade e custo de vida nos EUA.

Em Harvard, Justus concentra seus estudos nas áreas de matemática, economia e direitos humanos. Desde que deixou o lixão, ele está envolvido em uma série de projetos sociais e ajudou a fundar uma instituição de caridade em seu país que ajuda jovens pobres do ensino médio com assistência médica e escolar.

Em Boston, conta com a ajuda dos colegas para se adpatar ao estilo de vida norte-americano, tão diferente do de sua terra natal. “A cultura dos EUA é mais frenética, turbulenta. As pessoas trabalham duro para tudo, fazem as coisas rápido e mudam rápido. Eles são mais diretos, te falam o que pensam sem reservas”, conta. Nada muito difícil para quem morou em um lixão.

*Foto: reprodução do The New York Times

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