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15.06.15

Curso de idiomas em São Paulo tem refugiados como professores

Curso de idiomas em São Paulo tem refugiados como professores

Não pode fazer um intercâmbio? Abraço Cultural traz cursos de francês, inglês, espanhol e árabe que valorizam histórias de vida e práticas que vão além dos livros

Para quem quer aprender um novo idioma, mas não tem condições financeiras de sair do Brasil, a ONG Atados e Adus (Instituto de Reintegração dos Refugiados) traz uma ótima opção: realizar um curso com refugiados. Isso mesmo: o projeto da organização, chamado de Abraço Cultural, tem refugiados de países como Ruanda, Congo e Síria na função de docentes. Acesse o site do programa e saiba mais

Vai ser muito diferente da metodologia tradicional, que usa só livros. A gente quer ensinar pela convivência com a língua para o aluno se sentir livre

 

As aulas de inglês, francês, espanhol e árabe começam em julho e têm duração de um mês. O eixo de ensino é diferente daquele adotado pelas principais escolas e coloca como centro as experiências culturais e a história oral dos professores. Assim, o inglês terá foco em cultura árabe e africana, que também será o caminho para ensino de francês. O espanhol vai olhar para América Latina e um professor de árabe vai explorar sua cultura.

Junto com o conhecimento teórico, os professores trazem consigo histórias de vida impressionantes. Nascido na região do lago Kivu, na fronteira entre a República Democrática do Congo e Ruanda, Alphonse Nyembo Wanyembo, congolês de 29 anos, veio para o Brasil há três anos, deixando para trás um país em dificuldades econômicas, conflitos por pedras preciosas e ouro, além da perseguição política a estudantes.

A prática para ensinar inglês foi adquirida na formação em letras em uma universidade americana que levava professores para a África. Tão logo desembarcou em São Paulo, buscou revalidar o diploma. Nada feito. Decidiu então estudar engenharia e terminou recentemente um curso técnico de mecatrônica. Hoje divide o tempo entre aulas de francês (seu idioma nativo) e inglês dentro de empresas e o balcão de uma assistência técnica de eletrônicos.

Para Wanyembo, a experiência cultural que tratará de temas como culinária, dança, literatura, cinema, política e história, servirá também para derrubar preconceitos. “Não vai ser só dar aula. Vamos quebrar barreiras e tirar o medo em relação ao estrangeiro, que traz sua cultura e seu conhecimento”. Segundo o professor, a intenção é deixar o ambiente mais dinâmico para que os alunos consigam acompanhar o ritmo das três horas de aula. “Vai ser muito diferente da metodologia tradicional, que usa só livros. A gente quer ensinar pela convivência com a língua para o aluno se sentir livre. Faremos pratos típicos e eles vão poder tirar dúvidas: O que é esse ingrediente? Para que serve? Quando alguém aprende vivendo, pega gosto e o conteúdo fica gravado”.

Acesse o site Abraço Cultural e saiba mais

As informações são do site Porvir

Foto: professor Alphonse Wanyembo/ Crédito: Ilana Goldsmid – Divulgação

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