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04.12.13

Sem fronteiras: Aprendendo com a experiência

Sem fronteiras: Aprendendo com a experiência

Autoconhecimento e compreensão do próximo são aprendizados que ocorrem na prática em um intercâmbio. A isso chamamos Aprendizagem Experiencial

Por Lucas Hackradt, especialista em Aprendizagem Intercultural do AFS Intercultura Brasil

Você já ouviu falar no conceito de Aprendizagem Experiencial? Não vale confundir com Experimental. O conceito, bastante difundido na área da pedagogia, foi detalhado pelo teórico da educação norte-americano David Kolb e tem tudo a ver com a experiência de intercâmbio no exterior.

Aqui na minha coluna, tenho falado sempre sobre aprendizagem intercultural e educação intercultural. O aprendizado adquirido durante uma temporada fora é único e dificilmente pode ser replicado em sala de aula. Quando a pessoa é removida temporariamente de seu ambiente de conforto, de sua casa, e é introduzida a diferentes valores culturais, diferentes estilos de vida, modos de pensar e jeitos de se portar, ela passa por um processo de autoconhecimento e de compreensão do próximo que não consegue ser replicada em livros. A isso chamamos Aprendizagem Experiencial.

É claro que esse tipo de aprendizado não é exclusivo ao intercâmbio. Pense bem: como você “aprendeu” a ser brasileiro? A falar português? A dar dois beijos ao invés de um ao cumprimentar uma pessoa ou a fazer um sinal de “ok” com a mão e entender que isso significa “ok”? Nada disso foi exatamente ensinado, porém foi aprendido através de sua experiência. E cultura, como nós já vimos anteriormente, é justamente aprendida pela vivência, não em livros.

A organização para qual trabalho, o AFS, acredita firmemente em uma experiência de educação global em que as pessoas engajem-se intelectual, emocional, moral e experiencialmente umas com as outras. Essas experiências permitem à pessoa que passa por um programa de intercâmbio – seja ele qual for – adquirir habilidades, conhecimento e atitudes pertinentes ao conviver de maneira sensível e inteligente no mundo moderno, que se conecta cada vez mais. O aprendizado pela experiência envolve crescimento pessoal e mudanças radicais em termos de valores pessoais e de habilidades em lidar com o diferente.

É por essa razão que sempre se deve imaginar o programa de intercâmbio como algo além da viagem, da universidade, do curso de idioma ou da diversão. Todos esses são componentes, claro, da experiência, mas é através de todos esses ambientes, da própria diversão, que aprendemos e nos tornamos pessoas melhores. Inconscientemente, quando estamos fora do Brasil, acabamos aprendendo a interpretar valores diferentes dos nossos. É comum a pessoa que mora fora adquirir alguns valores da sociedade hospedeira e mesmo começar a “imitar” algumas atitudes; aprende-se uma nova cultura da mesma maneira como se aprendeu a cultura brasileira – inconscientemente.

A grande diferença quando se fala em métodos de aprendizagem experiencial é que esse processo de aprendizado pode ser facilitado, de forma a não ser tão inconsciente assim, mas mais claro e reflexivo. David Kolb, ao desenvolver sua teoria, pensou em quatro estágios básicos que compõem o processo – um ciclo, como ficou conhecido. Ele parte do princípio de que, para construir conhecimento, as pessoas têm que passar necessariamente por uma fase de Experiência Concreta que resulta em um momento de Observação Reflexiva do que acontece ao seu redor que, por sua vez, gera uma Concepção Abstrata dos fatos que, por fim, nos faz Experimentar Ativamente algo novo.

Ciclo de Kolb (1)

Você, que se prepara hoje para ir ao exterior, pode ter isso claro em mente para poder aproveitar ainda mais seu tempo fora. Lembre-se de que sua experiência como um todo o irá mudar completamente, e que para aprender melhor você deve sempre manter-se consciente de tudo que está acontecendo. Na hora de conseguir um emprego no futuro, seus chefes estarão muito mais preocupados em saber se você sabe lidar e funcionar em uma equipe diversa do que se você morou no país X ou Y. E esse é o tipo de conhecimento que só se consegue a partir da reflexão da experiência em si. Por isso, não se esqueça: intercâmbio é festa, é viagem, é um monte de coisa legal, mas também é aprender a lidar com o diferente!

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Lucas Hackradt – Colunista sobre a aprendizagem em experiências de intercâmbio

190011_10150173190105605_7563302_n (2)Sou formado em Comunicação Social, mas trabalho na área de educação intercultural desde 2007, quando me tornei voluntário do AFS Intercultura Brasil. Trabalhei na Globo, GloboNews e na Editora Globo como repórter da Revista ÉPOCA, e desde março deste ano integro o quadro de funcionários do AFS no Brasil como Especialista em Aprendizagem Intercultural, ligado à área de Desenvolvimento Organizacional da ONG. Já passei por diversos treinamentos e capacitações na área de educação intercultural, gerenciamento de conflitos culturais e estudos de comunicação intercultural. Já morei em quatro países, o mais recente dos quais Moçambique, na África, aonde desenvolvi projetos de desenvolvimento social sempre atrelados à questão da Interculturalidade. Me guio por uma frase simples: no mundo, nada é pior, nada é melhor, tudo é simplesmente diferente. E ser diferente é legal!

180734_498806906331_909606_nA coluna do Lucas Hackradt é realizada em parceria com a AFS Intercultura Brasil, uma organização de educação intercultural que organiza intercâmbios em diversos países com a finalidade de incentivar o diálogo intercultural e formar cidadãos globais, promovendo a paz.

 

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