O chinês vai substituir o inglês? Saiba mais sobre a crescente importância do mandarim

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Você já deve ter ouvido falar da importância da China para o mundo atual. Afinal, com mais de 9 milhões de quilômetros quadrados de área, mais de 1,3 bilhão de habitantes e o segundo maior PIB do mundo, o país não pode ser ignorado no cenário internacional. No entanto, qual é a importância do mandarim — sua língua oficial — para esse cenário? E, especificamente, para o Brasil?

De acordo com Luiz Antonio Paulino, diretor do Instituto Confúcio na Universidade Estadual Paulista (UNESP), essa importância é cada vez maior. O instituto, que conta com unidades nas 13 cidades em que a UNESP tem sede (como a capital paulista, Assis, Marília e Franca), tem visto seus números de alunos crescerem ano a ano — de 563 matriculados no segundo semestre de 2018 para 615 no segundo semestre de 2019, por exemplo.

Esses alunos se matriculam para aulas de mandarim — a língua oficial da China. Não é, no entanto, a única língua do país. “A China tem muitos dialetos locais, como o cantonês e o xangaiês, e abriga 55 etnias diferentes. Mas o mandarim é a língua oficial. Inicialmente ele era o dialeto de Pequim, e por isso acabou sendo adotada como língua padrão, ensinada em todas as escolas”, explica Paulino.

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Há, segundo Paulino, mais de 600 institutos semelhantes em mais de 140 países do mundo. Todos eles são frutos de parcerias entre universidades locais (que oferecem a infraestrutura) e universidades chinesas (que enviam recursos e professores). No Brasil, o instituto é fruto de uma parceria entre a UNESP e a Universidade de Hubei, localzada na cidade de Wuhan, na China. E é ele que vem recebendo essa demanda crescente.

Importância do mandarim para a carreira

“Eu acredito que isso seja relacionado com a própria projeção da China no mundo, com a intensificação dos negócios entre empresas brasileiras e chinesas, e com o grande volume de investimento chinês no Brasil”, comenta Paulino. Anualmente, o instituto organiza uma feira de recrutamento para empresas chinesas interessadas em brasileiros com conhecimento da língua local, e segundo ele, “o aumento da procura tem sido constante”.

De acordo com Paulino, “há uma procura muito grande de estudantes brasileiros por cursos de pós-graduação na China”, graças à projeção e qualidade que as universidades do país vêm conquistando. De fato, no mais recente ranking mundial da QS, o país emplacou três instituições entre as 50 melhores universidades do mundo. São elas a Tsinghua University, a Peking University, e a Fudan University.

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A importância do mandarim se reflete nessas perspectivas de estudo. O próprio Instituto Confúcio oferece bolsas de estudo para brasileiros interessados em universidades chinesas. “É uma oportunidade importante, e um dos requisitos comuns é que o aluno tenha um domínio mínimo da língua chinesa”, comenta Paulino.

Ele acredita também que a guerra comercial que China e Estados Unidos travam atualmente, com cada país aumentando as tarifas para as exportações do outro, pode acabar trazendo ainda mais oportunidades para brasileiros que falem chinês. “A China diante desse quatro de disputa precisa procurar parceiros mais confiáveis, com quem possa ter relações mais estáveis. Então eu acredito que desde que o Brasil adote uma política correta, a tendência é que a China também veja no Brasil um parceiro mais confiável”, defende.

Perfil dos estudantes

Essas oportunidades têm algum reflexo no perfil dos alunos do instituto. Dentre os matriculados, 44% têm idade entre 18 e 27 anos; outros 25% tem entre 28 e 37 anos. Há também, no entanto, uma parcela expressiva de alunos com mais de 40. “São sobretudo pessoas que não só tem interesse na língua e na cultura como também acabam fazendo negócios com a China e vêem a necessidade de conhecer um pouco de chinês”, conta Paulino.

No caso do inglês, há vários fatores culturais que contribuem para trazer estudantes. Músicas, filmes, séries e até mesmo empresas estadunidenses acabam levando pessoas a querer estudar a língua — além, é claro, das oportunidades de estudo e trabalho. No caso do chinês, Paulino reconhece que esses fatores não pesa tanto, embora ressalte que “há uma parcela considerável de pessoas que querem aprender o chinês por questões de afinidades culturais, como artes marciais ou tai chi chuan”.

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Além disso, o fato do instituto funcionar em parceria com a universidade também contribui para que boa parte de seus alunos venha dessa comunidade acadêmica, que percebe a importância do mandarim para suas carreiras. Eles encaram, no entanto, alguns desafios. Afinal, a língua é escrita com ideogramas (desenhos que representam ideias) sem muita relação com seu som. Com isso, o aluno precisa aprender a ler e a falar simultaneamente.

Proximidade crescente

Embora o mandarim ainda esteja longe de dominar as rádios e a Netflix como o inglês domina atualmente, Paulino acredita que Brasil e China devem se aproximar bastante nos próximos anos — e não apenas por causa de brasileiros interessados em aprender chinês.

“Hoje na China tem mais de 30 universidades oferecendo cursos de graduação em português. Isso é mais do que o número de universidades brasileiras oferecendo graduação em mandarim”, conta. O crescimento dos investimentos chineses no Brasil é um dos motivos por trás desse interesse.

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Também há a oportunidade de que o nosso país mire no mercado consumidor chinês quanto a turismo. A cada ano, mais de 150 milhões de chineses saem do país para viajar a lazer, e uma parcela ainda muito pequena deles vem ao Brasil. Com o crescimento do poder aquisitivo dessa população, atraí-los para o país pode gerar bastante dinheiro. Diante dessa oportunidade, a importância do mandarim fica ainda maior.

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