5 diretores negros que você precisa conhecer — e onde eles estudaram

Spike Lee na NYU

O mundo atualmente protesta contra o assassinato de George Floyd pelas forças policiais do estado de Minneapolis, nos Estados Unidos. Floyd, segurança, marido e pai, ficou quase nove minutos com um policial ajoelhado sobre seu pescoço enquanto implorava por sua vida.

Os protestos, muitas vezes focado no movimento Black Lives Matter (que visa combater a violência policial contra negros) são semelhantes aos que se seguirão a outros assassinatos de pessoas negras por polícias dos EUA, como Michael Brown, Eric Garner e Trayvon Martin. Eles chegaram também a outros países, incluindo o Brasil, onde o recente assassinato do menino João Pedro, de 14 anos, por policiais que invadiram sua casa causou revolta semelhante.

A discussão sobre o racismo que faz com que negros sejam desproporcionalmente alvos da violência policial é uma das mais importantes da nossa época. É uma das maneiras pelas quais a sociedade ocidental vai decidir como acha que seu futuro deve ser.

E uma das melhores maneiras de se aprofundar no tema é assistindo a filmes que o abordam. Especialmente produções feitas por pessoas negras, que têm um contato direto com a realidade do racismo, e que podem dar a quem não tem esse contato uma perspectiva muito mais impactante do que dados demográficos ou livros teóricos.

Assistir a esses filmes é, também, uma maneira de reconhecer os trabalhos das pessoas negras em áreas das quais elas ainda são frequentemente excluídas de oportunidades, apesar de seu talento. E de apoiar criadores negros no meio cinematográfico para ajudar a superar o racismo que frequentemente ainda dificulta seu reconhecimento nessa área.

Por isso, listamos a seguir cinco diretores negros que produziram filmes com esse enfoque. E também falamos sobre onde eles estudaram, e como sua educação impactou suas obras. Confira:

Ava DuVernay

Ava DuVernay é uma diretora pioneira: graças a seu trabalho em Selma: Uma Luta Pela Igualdade, de 2014, ela se tornou a primeira diretora negra a ser indicada para um Globo de Ouro e para um Oscar de melhor filme. Por seu trabalho em Uma Dobra no Tempo, ela se tornou a primeira mulher negra a dirigir um filme que rendeu mais de US$ 100 milhões em receitas no cinema dos EUA. Mais recentemente, ela ganhou renome por dirigir a série Olhos que Condenam, na Netflix, que foi indicada para 16 prêmios Emmy.

DuVernay fez sua graduação na University of California, Los Angeles (UCLA), com um double major em literatura inglesa e estudos afro-americanos. Inicialmente, ela se interessou por jornalismo por conta de um estágio na emissora CBS News, mas depois migrou para relações públicas e eventualmente fundou sua própria agência. Sua experiência com cinema começou em 2005, quando ela fez seu primeiro curta-metragem com um orçamento de US$ 6.000 e exibiu-o em diversos festivais.

Spike Lee

O diretor por trás de filmes como Faça a Coisa Certa, Malcolm X e Infiltrado na Klan sempre teve o racismo e as comunidades negras dos EUA como um de seus principais temas. Em mais de 30 anos de carreira, ele recebeu uma série de indicações ao Oscar por filmes como Quatro Meninas e Faça a Coisa Certa e ganhou um Oscar honorário por suas contribuições cinematográficas antes de finalmente ser contemplado com a estatueta de melhor roteiro adaptado por Infiltrado na Klan.

Lee foi um aluno de graduação do Morehouse College, uma das “historically black colleges” dos EUA. Em seguida, fez a pós-graduação na Tisch School of the Arts da New York University (NYU), focando em cinema e televisão. Atualmente, ele é professor da NYU, que o considera “um dos principais diretores afro-americanos que ajudaram a revolucionar o cinema negro moderno”.

Barry Jenkins

O diretor por trás de Moonlight, o filme lançado em 2016 que ganhou o Oscar de melhor filme, Barry Jenkins tornou-se o segundo homem negro a vencer o prêmio dessa categoria — atrás apenas de Steve McQueen, que venceu em 2013 com 12 Anos de EscravidãoMoonlight, aliás, foi seu segundo longa-metragem, realizado oito anos após seu primeiro trabalho, Medicine for Melancholy.

Jenkins estudou cinema no College of Motion Picture Arts da Florida State University. Lá ele conheceu diversas pessoas com quem colaboraria em seus futuros filmes, como a produtora Adele Romanski e o editor Nat Sanders. Ele se mudou para Los Angeles para seguir carreira como cineasta apenas 4 dias após se formarna universidade, e trabalhou como assistente de produção em diversos filmes no começo de sua carreira.

Mais tarde, ele voltaria ao estado da Florida, onde cresceu e estudou. E numa entrevista ao Miami Heral, ele contou que sua experiência crescendo em Miami foi essencial para a criação de Moonlight.

Jordan Peele

O diretor que se tornou o primeiro homem negro a ganhar um Oscar de melhor roteiro original pelo filme Corra! de 2017 e que lançou, mais recentemente, Nós (estrelando Lupita Nyongo) já tinha uma extensa carreira na TV e no cinema antes de sua estreia como diretor. Ele foi ator de séries de comédia como Mad TV e Key & Peele bem como na série Fargo da produtor FX. Também é creditado como produtor de Infiltrado na Klan.

Peele fez faculdade no Sarah Lawrence College, uma pequena faculdade de Liberal Arts localizada em Yonkers, uma cidade próxima a Nova York. No entanto, após dois anos, ele saiu da faculdade para começar uma carreira como comediante junto com sua colega Rebecca Drysdale, que também trabalharia com ele como roterista em Key & Peele.

Melina Matsoukas

Melina Matsoukas estudou durante a graduação na New York University e depois fez pós-graduação no conservatório do American Film Institute (AFI). No AFI, sua tese de conclusão de curso foi sobre clipes musicais, e foi nessa área que ela ganhou notoriedade: ela é a diretora de clipes memoráveis como “In My Arms”, da Kylie Minogue, “Just Dance” da Lady Gaga, “Rude Boy” da Rihanna e, mais recentemente, “Formation”, da Beyoncé.

Ela também atuou como diretora de diversos episódios das séries Master of None e Insecure, e fez sua estreia cinematográfica em 2019 com o longa Queen & Slim, pelo qual ela ganhou diversos prêmios de academias estaduais de cinema dos Estados Unidos. O próprio AFI entregou a ela a Frank J. Schaffner Alumni Medal, uma honraria dedicada a exálunos notáveis, após a estreia do filme.

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